Moda íntima brasileira quer exportar mais

A 10ª edição do Salão Internacional de Moda Íntima, a Intimatex, que acontece até o dia 21 de fevereiro, em São Paulo, mostra as lingeries que estarão nas lojas para o outono-inverno 2001. O evento corresponde a dois meses da produção para os expositores. Os profissionais do setor, entre lojistas e representantes, podem conferir mais de cem marcas. Os destaques continuam sendo as peças que priorizam conforto e tecnologia. ?Temos cerca de 6 mil empresas no País voltadas para esse segmento, que apresenta o maior crescimento de toda cadeia têxtil?, conta Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).O crescimento do mercado interno e a tecnologia dos produtos têxteis chamaram atenção de empresas estrangeiras que vieram em busca de parceiros. ?A indústria passa por um momento de muita criatividade e tecnologia?, ressalta Allan Burt, representante da DuPont. Burt afirma que um dos objetivos da feira é lançar novos produtos para o conquistar o mercado. ?Essa atitude destacou nossa participação na feira de Paris esse mês, apresentando uma combinação de Lycra e Tactel exclusiva, que não existe por lá?.Nos Estados Unidos o crescimento da moda íntima atinge mais o público masculino. No Brasil eles são apenas 20% do mercado. Segundo Ana Flores, diretora da Guazzelli Feira/Messe Frankfurt, que organiza para setembro a primeira feira íntima em Miami, a participação do Brasil ainda é pequena, mas seu objetivo é chamar atenção para o mercado que importa 70% da moda underwear. ?Estamos com apoio de instituições importantes e o grupo de moda de John Casablancas. Nossa expectativa é que a participação brasileira aumente?, confessa Ana, de olho no País que exportou US$ 65 milhões em 2000.Maquiagem e tecnologia - Uma das fortes tendências são as cores inspiradas nas maquiagens. O conjunto de tanga e sutiã da Puket vem em rosa, bege e azul cintilantes, confeccionados com microfibra brilhante. ?Quem comprar ainda ganha uma sombra e um batom da mesma cor?, conta Mônica Serrão, gerente de marketing da Puket. O sutiã continua com bojo de espuma para aumentar o busto. Além das alças de silicone, a Darling lança o sutiã aderente, que deixa as costas livres. O modelo sem alça contém adesivos antialérgicos e descartáveis nas laterais que ainda prometem sustentação.Apesar das empresas criarem modelos com base em pesquisas, a modelagem brasileira ainda precisa de ajustes segundo os especialistas. ?As brasileira consomem 600 milhões de peças por ano?, lembra Skaf. No entanto, a dúvida entre o P (pequeno), M (médio) e G (grande) ainda existe. ?Incentivamos as lojistas a pedirem que as clientes experimentem as peças, porque o que parece grande, às vezes, não é?, reforça Mônica. ?Mas algumas peças são vendidas separadas, para o caso do sutiã ser P e uma calcinha G, por exemplo?.Os investimentos da cadeia têxtil prometem atingir US$ 12 milhões até 2008, mas os resultados já podem ser constatados no salão. A Rhodia, que lidera o mercado com as peças sem costura, apresenta novos lançamentos, entre eles a Amni Biotech, o primeiro fio têxtil ?inteligente?. O Biotech é produzido com náilon 6.6, com efeito bacteriostático, que impede a multiplicação das bactérias. A linha de fibras Satinê produzem reflexos ondulantes e aspecto furta-cor. Estrelato - A maioria dos estilistas ainda trabalha no anonimato. Mas o crescimento do mercado exigiu novas parcerias e nomes famosos se uniram. Alexandre Herchcovitch assina a coleção Seduction da Puket e Glória Coelho emprega a tecnologia sem costura em uma linha especial para a Liz. Embora não assinem uma linha específica, Walter Rodrigues, Reinaldo Lourenço e Fause Haten contaram com peças exclusivas para suas coleções de inverno.As peças sem costura conquistam cada vez mais os consumidores, ?além do conforto, não marcam quando usadas com roupas mais justas?, conta Mônica. As primeiras peças surgiram na Europa em 1988, produzidas em máquinas específicas. As tangas, com frente mais baixa e laterais finas, continuam em alta. Os bodys lançados por diversas marcas são produzidos com tecidos que dão sustentação e dispensam o sutiã. A consumidora não vai pagar barato pela tecnologia das peças. As calcinhas e sutiãs custam a partir de R$ 40,00, cada peça. Os modelos com bojo de espuma custam em média R$ 70,00 e os corpetes (ou bodys) não saem por menos de R$ 45,00. Mas os lojistas não se intimidam e apostam no mercado que fatura U$ 1 milhão por ano, e segunda Mônica, ?a consumidora paga sem se arrepender?.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2001 | 16h36

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