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Moda, em 2014, tem forças antagônicas de maneira simultânea

De um lado a ostentação, de outro, o novo básico

Maria Rita Alonso - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2014 | 03h00

A moda em 2014 foi um verdadeiro supermercado de estilos. A imagem das modelos da Chanel desfilando entre gôndolas cenográficas erguidas em pleno Grand Palais resume bem o vale-tudo fashion atual. A popularização da internet, que proporciona um registro social sem-fim e sem linearidade cronológica, agora faz tudo virar moda ao mesmo tempo. Não há mais o ciclo da corrente e depois o da contracorrente. Forças antagônicas, este ano, reinaram simultaneamente: de um lado a moda ostentação, encabeçada pelos rappers, pelos jogadores de futebol, pela cantora Rihanna, pelas blogueiras de moda poderosas. De outro, o novo básico puxado pela volta do tênis e do moletom, da turma dos minimalistas e dos politicamente corretos que levantam bandeiras contra o consumismo. 

Pense no visual de Steve Jobs e de Jerry Seinfeld. Eles são os ícones do movimento batizado normcore (cerne do normal), que invadiu as passarelas, as fotos de street style, as páginas das revistas e as mídias sociais. “As meninas em particular pretendem mostrar com suas roupas desleixadas que elas não foram alienadas pela moda”, analisou o filósofo francês Gilles Lipovetsky, em entrevista ao Estado.

Como a moda é um universo predominantemente estético e efêmero, ela encontrou no Instagram uma vitrine perfeita. Houve uma corrida das marcas e dos criadores pela audiência online, e os desfiles que antes eram feitos de portas fechadas, deixaram de ser uma festa exclusiva para ganhar transmissão em tempo real, em sites especializados. “Hoje, queremos aproveitar a energia e a emoção presentes na passarela, enquanto ela ainda está armada e tudo está acontecendo”, disse o estilista Tommy Hilfiger.

Em termos de comoção, nada superou a despedida do estilista francês Jean Paul Gaultier da semana de moda de prêt-à-porter, em Paris. Com dificuldades financeiras, o “enfant terrible”, criador de modelos como o sutiã em forma de cone usado por Madonna nos anos 90, reuniu a nata fashionista para apresentar sua última coleção, como um excêntrico concurso de miss. 

São tempos difíceis, em que as grandes marcas se movimentam o tempo todo para não perder espaço. Nos últimos meses, houve uma grande dança das cadeiras no comando das grifes francesas. Depois de 16 anos na Louis Vuitton, o estilista americano Marc Jacobs deixou o posto em uma fase de vendas em queda. Em seu lugar, assumiu o francês Nicolas Ghesquière, ex-Balenciaga, que passou o bastão, por sua vez, ao jovem Alexander Wang. 

Musas de estilo. No tapete vermelho, surgiu uma nova diva, Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de coadjuvante por sua atuação no filme 12 Anos de Escravidão. Na festa da academia, Lupita brilhou com um vestido azul-claro, de inspiração grega, da Prada. Depois disso, a atriz virou garota-propaganda de grifes como Miu Miu, foi eleita pela revista People como a celebridade mais bonita do ano e figurou em todas as listas das mais bem-vestidas. 

Em termos de estilo, outra musa de 2014 foi a mulher de George Clooney, a advogada Amal Alamuddin. Seu vestido com renda francesa, pérolas e strass virou sonho de consumo de noivas do mundo inteiro. Confeccionado por Oscar De La Renta, foi uma das últimas criações do estilista, morto em outubro, aos 82 anos. 

No Brasil, a passagem da estilista inglesa Stella McCartney e da diretora criativa Donatella Versace, da grife italiana Versace, roubou a cena fashion e marcou um modelo de negócio que está em alta, o cobranding, uma parceria entre marcas. Stella assinou uma linha de roupas com a C&A e Donatella lançou uma coleção especial para a Riachuelo. A prática de unir criadores famosos de moda a redes de varejo, aliás, foi muito usada por aqui. A estratégia é oferecer algo diferente, com design e preço baixo. 

Na inauguração da rede americana Forever 21, em SP, em março, clientes chegaram a esperar 5 horas na fila para entrar loja. Seu principal fator competitivo era o preço (blusas a R$ 8, calças a R$ 20). Pena que, meses depois, já não havia tantas opções de ofertas assim. Os altos custos da produção nacional pesaram e a moda da Forever 21 terminou 2014 menos convidativa.

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