Moda de Jean Paul Gaultier é tema de exposição em Londres

Mostra inclui 165 peças deslumbrantes criadas pelo estilista francês

Sylvia Hui - AP,

09 de abril de 2014 | 09h48

Jean Paul Gaultier não deixa de confessar seu amor por ícones britânicos – punk, humor, David Bowie –, que são uma inspiração vital para o designer francês. Ele só precisou de um tempo para se acostumar com a cozinha britânica e alguns pratos são mantidos fora de seu menu. “Agora, eu amo comida; no início, não. A exceção é o café da manhã”, brincou Gaultier, ironizando o fanatismo inglês pela culinária. Ele veio a Londres para a abertura de uma grande exposição itinerante que comemora suas três décadas como um dos mais amados provocadores de moda.a

A mostra inclui 165 de suas criações deslumbrantes, desde o sutiã de cones de Madonna até os ousados corsets, inspirados no sadomasoquismo, e sem se esquecer das saias para homens. Alguns dos desenhos de Gaultier, como suas famosas estampas listradas, são inconfundivelmente gaulês. Mas ele afirma que a irreverência de Londres sempre foi a sua inspiração para escapar do esnobismo da alta-costura francesa.

“Foi minha vitamina”, disse ele. “Amo a liberdade de Londres. Vejo isso nas ruas, no cenário do rock, nas estrelas do rock. Essa energia é diferente – nos clubes de Londres, as pessoas vão para dançar. Em Paris, para fazer pose.”

Gaultier – que parece falar de centenas de palavras por minuto – lembrou como ficou impressionado com o Rocky Horror Show original e com o movimento punk, quando esteve em Londres na década de 1970. Ao levar esse estilo provocante para Paris, o designer injetou uma dose saudável de ousadia das ruas no mundo elitista dos vestidos da alta costura. Uma delas, feita de babados de tule que Sarah Jessica Parker usou em 2000, é apresentada na mostra, inclui estampas de camuflagem. Foram necessárias 312 horas de trabalho para confeccioná-la. Outro vestido de noite brilhante está em um manequim com um vestido verde medindo quase um metro de altura.

Gaultier sempre preferiu o diferente: prefere modelos com tatuagens, calvos, loiras voluptuosas e até andróginos esqueléticos. No início de sua carreira, publicou um anúncio em um jornal que dizia: “Desenhista inconformado procura modelos incomuns – belezas convencionais não precisam comparecer”.

De fato, manequins comuns não têm lugar na exposição em Londres. Em vez disso, os organizadores mostram peças em manequins nos quais são projetados rostos expressivos, olhos que se movem e, em alguns casos, até mesmo falam. Seus extravagantes vestidos de sereia são utilizadas por modelos que cantam e até há uma projeção em que Gaultier saúda os visitantes. 

Aos 61 anos, o francês mantém-se um homem travesso e atuante, como sempre. E, nessa exposição, que já foi mostrada em Nova York e em outras cidades dos Estados Unidos, Gaultier também reflete sobre a importância da moda. “Minha ideia de beleza não tem nada a ver com o estereótipo. O envelhecimento também pode ser bonito”, afirma. 

A exposição The Fashion World of Jean Paul Gaultier: From the Sidewalk à Passarela fica em cartaz até o dia 25 de agosto, no Barbican Centre, em Londres.

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