moda* A GENTE SE VÊ NO INVERNO

Fashion Rio, Rio-à-Porter e Fashion Business dão a partida na temporada de 2012

ROBERTA PENNAFORT /, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h09

RIONão deixe o calor lá fora nem as pernas desnudas que ilustram esta página te enganarem: é inverno na temporada de moda, que começa esta semana, com o Fashion Rio, o Rio-à-Porter (seu braço de negócios) e o Senac Rio Fashion Business (salão paralelo, também voltado para as vendas no atacado), e culmina, no dia 19, na São Paulo Fashion Week.

De terça até o próximo sábado, grifes de todo o Brasil estarão no Píer Mauá, no Jockey Club e no palacete da família Guinle Paula Machado, em passarelas e em estandes, mostrando coleções pensadas tanto para o frio à vera do Sul quanto para as temperaturas dos veranicos nordestinos, e contemplando até as súbitas mudanças climáticas que tiram qualquer um(a) do sério.

"Vendemos para todo o País, então sempre precisamos ter as duas vertentes, mas sempre dando a carinha da estação", diz Lanza Mazza, estilista da Cantão. "Não podemos pensar só no Rio. Em Porto Alegre e Curitiba faz frio de verdade. Tem que ter casacão, mas é claro que essas peças não são em número grande", corrobora Camila Bastos, do Espaço Fashion.

"Cada vez mais você vê as grifes preocupadas com as mudanças climáticas, e as novas tecnologias ajudam: os materiais são leves, e basta carregar um casaco e se precaver", analisa Graça Cabral, a cargo do Rio-à-Porter.

Este evento, que recebe compradores brasileiros e de fora, foi desgarrado do Fashion Rio, levando suas 18 marcas e 14 polos de moda ao palacete renascentista de Botafogo como forma de ocupar uma parte maior da cidade com as temáticas da moda, design e economia criativa.

Se somados seus ganhos com os do Senac Rio Fashion Business, este janeiro também de endereço novo (o Jockey), as cifras devem superar R$ 1,3 bilhão - o registrado em janeiro de 2011. O fato de os três eventos serem na mesma semana facilita a vida do comprador, e fortalece o que Paulo Borges, diretor do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week, vem dizendo desde que assumiu a semana carioca, há quase três anos: "Um calendário de moda tem um processo de construção".

Encorpada por duas exposições, uma do designer de móveis Sérgio Rodrigues e outra de portraits de personalidades feitos pelo maquiador Fernando Torquatto, essa 20.ª edição do Fashion Rio, cujo tema é Sou Rio, Essa Bossa É Nossa, tem 24 grifes - o número, antes da chegada de Borges, chegou a 43, mas foi enxugado por ele, restando as mais bem estruturadas.

De junho passado para cá, a diferença são as quatro de moda praia que não desfilam inverno no Píer e outras três que desistiram, por ora. A semana tem um dia a menos. E não há modelos internacionais badalados sendo anunciadas, à exceção da britânica Daisy Lowe, que em 2011 ousou ao sair na Playboy norte-americana. A gaúcha internacional Carol Trentini é, mais uma vez, a top mais aguardada - vem com exclusividade para a Cantão.

Isso não significa um esvaziamento, diz Borges. "Os desfiles de verão têm um charme que no inverno não aparece. Mas quem está indo para lá ver moda, vai ver. A cada ano, as grifes melhoram a qualidade dos produtos. Nunca olho no curto ou médio prazo. Nosso projeto é de 30 anos, temos 14 pela frente", calcula, levando em conta o período desde a criação da SPFW.

Nascido há dez anos, o Fashion Business espera aumentar as vendas em 10%. Para quem expõe, a participação reverte anualmente em quase metade das vendas das coleções. Setenta mil visitantes e 20 mil lojistas são convidados.

Nenhum dos três eventos é aberto ao público em geral. As vidradas em moda acompanham por blogs e portais, e chegam a fazer reservas nas suas lojas favoritas quando caem de amores por uma peça.

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