Mocidade capricha na bateria, mas repete no visual histórico

A irresistível bateria daMocidade Independente de Padre Miguel levantou a Marquês deSapucaí logo na abertura do segundo e último dia de desfiles doGrupo Especial, na noite de segunda-feira. Mas a alegria não foi suficiente para abafar a confusão decores do carnavalesco Cid Carvalho, que para contar a históriado império português trouxe para a avenida romanos, persas,gregos, reis e príncipes numa salada de alegorias. A agremiação abusou de tecidos para compor o enredo derealeza, seguindo assim os passos da São Clemente, da noiteanterior, que como a verde e branca também recebeu incentivo daPrefeitura para cantar a família real. O fato das duas escolas terem o mesmo tema não preocupou opresidente da escola, Paulo Vianna. "Acho que não tem nada a ver, é história e cultura para opovo, é uma homenagem importante", disse Vianna ao final dodesfile. Apesar do clima de "deja vu", com as perucas brancas ecarruagens parecidas com a São Clemente, a Mocidade agradou aplatéia pela garra de tentar esquecer o 11o lugar do anopassado. Trouxe muita coreografia e um refrão fácil --"Minhamocidade, guerreira"--, cantado por boa parte do público. No entanto, a escola de Padre Miguel não inovou --ainovação costumava ser uma marca de Cid Carvalho, discípulo dePaulo Barros. No segundo dia de desfiles, devem passar pela SapucaíUnidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, GrandeRio e Beija Flor. EMOÇÃO EM FAMÍLIA A foliona Ezilda de Menezes, 75 anos, desfilou pela 15a vezna Mocidade, este ano com dez membros de sua família. "O sambaestá ótimo, todo ano é a mesma emoção. Fico mais contente nahora dos fogos, quando a gente entra", disse, emocionada, nadispersão. O carnavalesco Cid optou por contar a história de SãoSebastião, monarca português que buscava tornar seu país oquinto império universal. A família real, no entanto, não ficou de fora, representadana Comissão de Frente por dona Maria, a louca, e outrascitações. As roupas pesadas do Carnaval histórico fizeram com quealgumas pessoas fossem atendidas no posto médico da dispersão,fato semelhante registrado no desfile da São Clemente. Segundo os organizadores, 395 foliões foram atendidos nospostos médicos do sambódromo na primeira noite, a maior partepor mal-estar devido ao calor e fadiga, contra 474 do mesmoperíodo de 2007.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.