Miyazaki e as chaves do mundo mágico

Em tempos de Anima Mundi, autor japonês encanta com o belo Ponyo

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Pergunte a John Lasseter e a seus colaboradores na Pixar. Quem é o maior animador do mundo? Não sem modéstia, pois a Pixar tem revolucionado a chamada "oitava arte", eles responderão - Hayao Miyazaki. O autor japonês possui um imaginário muito rico e, em plena era da computação gráfica, ainda gosta de empregar técnicas tradicionais para contar suas histórias mágicas. A de Ponyo - Uma Amizade Que Veio do Mar é das mais belas.

Há tempos que a distribuidora PlayArte vinha prometendo a estreia de Ponyo. Ela ocorre justamente nesta semana em que São Paulo abriga o Anima Mundi, festival de animação que traz ao País, e à cidade, pérolas produzidas por animadores de todo o mundo. São muitos filmes premiados - com o Oscar e importantes prêmios dos maiores festivais do mundo.

Por outra feliz coincidência, Ponyo estreia no momento em que o circuito está aquecido por outros grandes lançamentos de animação (leia, ao lado, texto sobre Toy Story 3, Shrek para Sempre e Mary e Max). Você poderá comparar técnicas, histórias ou simplesmente viajar nas diferenças entre filmes que têm em comum a qualidade. Até o novo Shrek, tão maltratado pela crítica - seria o menos interessante da série -, precisa ser resgatado, porque é bom, e certamente melhor que o 2.

Por falar em diferenças, Ponyo se relaciona com Procurando Nemo, um dos mais belos filmes da Pixar. Relaciona-se, mas não tem muito a ver. Quando Nemo estreou, o próprio Lasseter contou ao Estado como a Pixar havia desenvolvido programas especiais de computação para recriar na tela o mundo submarino. Não apenas as cores, mas as distorções que a água produz na perspectiva precisaram ser levadas em conta. A técnica de Ponyo parece mais simples - e neste sentido o filme é mais "infantil" -, mas o colorido é deslumbrante e enche os olhos.

Nemo contava a história de um peixinho que atravessava o oceano em busca do filho. Ponyo conta a história dessa peixinha que um garoto encontra encerrada numa garrafa. Ele a liberta e ela vira menina, mas, ao fazê-lo, ameaça o equilíbrio do mundo. Seu pai, um feiticeiro que controla o oceano, vai tentar resgatar a filha, em seu formato humano. Ponyo fala de família, afeto. É complexo. A crítica norte-americana Lisa Shwarzbaum acertou ao dizer - não contem ao pessoal da Disney, que distribui Miyazaki nos EUA, mas ele encontrou as chaves do mundo mágico.

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