Miúda, letal, boca-suja e sedutora

      

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2010 | 00h00

Hit-Girl. Fofa, adorável, virulenta, cruel, boca-suja: ela é simplesmente um arraso.                      

 

 

Como explicar o sucesso do maior hit cinematográfico indie da temporada, Quebrando Tudo (Kick Ass)? Bom, para simplificar, é só apontar para a atriz-mirim Chloë Moretz, de 11 anos, que faz a personagem Hit-Girl no filme (foto acima). Fofa, adorável, virulenta, cruel, boca-suja: ela é simplesmente um arraso.

Mas é claro que tem mais. No mundo absolutamente binário de Dave Lizewski (Adam Johnson), nada acontece a não ser a patacoada habitual da cultura pop: gibis de super-heróis, séries como Lost e Ugly Betty, filmes de John Woo, o melhor de Sin City. "Meu único superpoder era ser invisível para as garotas", diz Dave, num balanço de sua vida comum de adolescente.

Para chamar a atenção, ele resolve se fantasiar de super-herói e tentar escapar de sua vida ordinária. "Sem poderes, sem responsabilidade", pensa. Os "bad guys", no entanto, não pensam da mesma forma. E o enchem de porrada num estacionamento, evento que é filmado e vira hit instantâneo no Youtube.

Entra então em sua vida uma dupla de malucos extraordinários: Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filha Hit Girl. O pai treina a menininha como arma letal, e quando ela se dá bem, a leva para tomar sorvete. Resolvem "adotar" o desvairado adolescente mascarado. Filhos todos eles da cultura pop, dos excessos violentos do cinema de entretenimento, revelam-se todos órfãos. No caminho deles, há um vilão de verdade, Frank (Mark Strong, de Sherlock Holmes).

Feito com baixíssimo orçamento pelo diretor Matthew Vaughn, Kick Ass é uma pequena joia da cultura pop, porque se diverte com ela e suas referências e é ao mesmo tempo crítico e debochado em relação aos que a levam demasiado a sério. Metacinema, só tem um único ator de peso no elenco, Nicolas Cage, curiosamente um desses astros de aluguel que faz filmes esquecíveis em sequência. Capaz de rir da própria decadência, ele renasce no meio da molecada.

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