Misturar artes para entender o Brasil

Exposição no Ibirapuera valoriza o diálogo do popular com o erudito e apresenta o novo Pavilhão das Culturas

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Parque do Ibirapuera, Pavilhão Engenheiro Armando de Arruda Pereira, prédio da antiga sede da Prodam (Companhia de Processamento de Dados do Município), ao lado do Museu Afro Brasil, entrada pelo portão 10. Neste endereço, a partir de domingo, instala-se a exposição Puras Misturas, que logo de cara oferece ao visitante uma confortável recepção: 65 banquinhos de todos os tipos - de madeira, de ferro, de fitas de plástico entrelaçadas, um em forma de bicho, outro de origem indígena. Ah, claro, e há um bem clássico, criado pelo designer Sergio Rodrigues.

"É uma instalação usável: em qual deles você vai querer sentar?", pergunta a curadora da mostra, Adélia Borges. "São banquinhos da cultura brasileira, a trama, a diversidade - é o que nos interessa", ela continua.

Puras Misturas não é só uma mostra, mas o anúncio de uma nova instituição paulistana, o futuro Pavilhão das Culturas Brasileiras, que ficará abrigado naquele edifício, pertencente à Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

Em 2008, Adélia foi contratada pela Secretaria para criar um projeto de museu que se dedicasse às manifestações populares, tendo como ponto de partida dois acervos da Prefeitura de São Paulo, o do extinto Museu de Folclore Rossini Tavares de Lima (transferido para a SMC por deliberação do Ministério Público Estadual) e o da Missão de Pesquisas Folclóricas (coordenada, em 1938, por Mário de Andrade e atualmente abrigada no Centro Cultural São Paulo). O conceito da nova instituição ficou pronto, mas o museu mesmo, segundo o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, se pretende inaugurar de fato a partir de 2012. "Será espaço de articulação da produção espontânea com a erudita, urbana e design, que é tudo uma mesma coisa", resume o secretário. "Queremos uma visão de cultura viva: se mostrasse só a congada e não o hip hop, seria apenas folclorista", diz Adélia Borges.

Decreto. Puras Misturas, com cerca de 1.800 obras (peças selecionadas já dos dois acervos fundamentais, além de novas aquisições e empréstimos), é enfim uma apresentação. Feita ainda com a colaboração de Cristiana Barreto e de José Alberto Nemer, perpassa história e conceitos; homenageia personalidades (como o próprio Rossini Tavares ou Lina Bo Bardi e Lélia Coelho da Frota); e entrelaça obras da dita arte popular contemporânea.

"O Pavilhão das Culturas Brasileiras não existe formalmente, seu decreto ainda está tramitando na Prefeitura para que se formalize", diz o secretário. "Como a instituição ainda não existe, não tem diretor", continua Calil. Segundo ele, durante anos o prédio onde funcionará o novo museu já havia sido oferecido pela SMC ao Museu de Arte Moderna, ao Museu de Arte Contemporânea da USP e até ao Centro Cultural Banco do Brasil.

Para esta fase de preparação da nova instituição, a SMC investiu, por meio do Departamento do Patrimônio Histórico, R$ 1,7 milhão entre aquisições e contratação dos serviços. O projeto de reforma do prédio foi elaborado por R$ 250 mil pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha. "A reserva técnica, no segundo piso, terá cerca de 500 metros quadrados", diz o arquiteto. Está prevista ainda a criação de uma biblioteca e de um auditório. Já a montagem de Puras Misturas ficou em R$ 1,3 milhão, segundo a SMC.

Números

R$ 1,7 milhão é o

montante que a Secretaria Municipal de Cultura já investiu no projeto do Pavilhão das

Culturas Brasileiras

R$ 23 milhões é o

orçamento para realização das obras arquitetônicas, incluindo R$ 10 milhões de reforma do

prédio projetado por Niemeyer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.