Mistura irregular de autoajuda e turismo cinematográfico

Leia o filme, veja o livro. Perdão, é o inverso. Numa entrevista ao Estado, Julia contou como ficou apaixonada pelo livro, ao ler Comer Rezar Amar. A experiência da protagonista, que larga tudo - marido e emprego - para viajar, em busca de si mesma, lhe parecia responder a perguntas que afligem muitas mulheres no pós-feminismo. O filme estreia hoje. É dirigido por Ryan Murphy, que ganhou fama fazendo Glee na TV.

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Cada uma das seções do título corresponde a uma etapa da peregrinação da protagonista. Em Comer, ela descobre os prazeres da gastronomias, na Itália. Em Rezar, vive uma rica experiência de interiorização num mosteiro na Índia. Em Amar, como lhe vaticinara seu guru, encontra o homem de sua vida em Bali, e ele é brasileiro (e, também por isso, a trilha, nesta parte, é de bossa nova).

Mistura de autoajuda com turismo cinematográfico, Comer Rezar Amar é irregular, para se dizer o mínimo. A melhor parte é a inicial. Acompanhamos rapidamente o casamento da personagem, o divórcio, o affair com um jovem artista e começa a viagem. Existem ecos de Candelabro Italiano na primeira etapa do roteiro turístico, mas o velho filme de Delmer Daves com Suzanne Pleshette e Troy Donahue permanece imbatível como clássico da Sessão da Tarde.

A segunda etapa, na Índia, beneficia-se da presença de Richard Jenkins. A cena em que ele se abre com Julia e fala da sua angústia por se sentir responsável pela morte do filho - e também do consolo que encontrou no budismo, com sua crença nas múltiplas reencarnações - chega a destoar do conjunto do filme. Jenkins é um ator poderoso e, com sua interpretação, joga o filme lá em cima, por um momento. Julia corresponde e mostra que o Oscar que recebeu, por Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento, não foi uma simples concessão de Hollywood ao seu sucesso.

Justamente a terceira parte é a mais fraca, comprometida pelo portunhol de Javier Bardem, tentando se passar por brasileiro apaixonado. Apesar das ressalvas, não será uma surpresa se Comer Rezar Amar estourar nas bilheterias do País. O livro virou cult e dever levar legiões aos cinemas. As plateias femininas poderão se identificar com Julia (e até não ligar para o sotaque de Bardem). O programa tem cara de "woman"s picture", o bom e velho filme "de mulher".

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