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Missy Elliott é um dos destaques do Back2Black

Rapper americana se apresenta no Rio, neste fim de semana, no maior festival de cultura negra da América Latina

ROBERTO NASCIMENTO - O Estado de S.Paulo,

21 de novembro de 2012 | 02h09

Por onde anda Missy Elliott, unanimidade entre gregos e troianos no universo hip-hop, autora de hits geniais, rimas impagáveis, detentora de um sex-appeal tão carnudo e voluptuoso quanto suas batidas? "Todo mundo pensa que eu sumi do mapa. Mas estive por trás da cena, produzindo e participando de discos de novos artistas", conta, antes de enumerar os que amadrinhou: Keyshia Cole, Jazmine, Demi Lovato, Fantasia, Monica, Jennifer Hudson... É uma extensão de carreira comum no jogo do rap, e Missy tem emprestado seu brilho de veterana a novos artistas com eficiência, emplacando boa parte de suas participações entre as dez mais da Billboard americana.

Mesmo assim, fica a pergunta: por onde anda Missy Elliott em uma era que tem como principal rapper feminina Nicki Minaj, artista brilhante, porém dona de uma estética divisora, tão frenética quanto assustadora em sua mistura de sexualidade crua, animes japoneses e O Exorcista?

A pergunta é retórica e não tem o intuito de pregar nostalgia pela primeira metade dos anos 2000, era que também deixava fãs de hip-hop nostálgicos por outras épocas. Mas a ausência de uma rapper tão carismática (despojada e acima do peso, neste caso), que agrade a crítica e público, modernos e conservadores, é clara hoje em dia. E, no mínimo, nos faz lembrar dos idos em que Work It, o cômico, obsceno e contagiante megahit de Missy, dominava o rádio.

"Venho de uma outra era", reflete a rapper, que prepara um novo disco e se apresenta no Rio, neste sábado, como parte da programação do festival Back2Black. "Mas penso também nas eras que vieram antes de mim. As coisas são diferentes hoje em dia. Isto talvez seja algo positivo porque o hip-hop é mais popular do que nunca. Mas talvez haja falta de criatividade e originalidade, aquela raiz do hip-hop. Mas cada um com a sua. Sempre penso que a música que as crianças escutam é diferente da música que seus pais escutam. Quando você é de outros tempos, é fácil ser saudosista. Mas o hip-hop cresce. Não para", completa ela.

Mesmo declamado aos 40, este poderia ter sido o discurso de Missy há dez anos, quando lançava Under Construction. O disco trouxe um hit moderno como Work It, mas ao mesmo tempo em que tinha as batidas progressivas de Timbaland, exaltava a história do hip-hop em participações e rimas. "Eu nunca faço nada do 'agora'", explica ela. Eu tento ficar longe de tudo o que acontece hoje. Mas isto não é de agora. Na época de Under Construction eu já fazia isso. Eu tentei, propositalmente, entremear o hip-hop da velha guarda com o hip-hop moderno. E só deu certo porque eu não estava preocupada com o que se passava naquele momento", conta.

Missy lançou os singles 9th Inning e Triple Threat, recentemente, em parceria com Timbaland, o revolucionário produtor, famoso por suas batidas que evitavam samples e elementos de música eletrônica. São as primeiras faixas de um novo disco da dupla, que Missy disse estar 90% completo, e deve sair no ano que vem. Soam como o esperado: uma colaboração de dois veteranos, um tanto defasados e fora de forma, que tentam reivindicar a condição de donos da bola depois de terem passado do ápice criativo.

"Não escuto rádio", responde Missy quando pergunto sobre as rappers do momento. "Foi sempre assim. Eu não escuto rádio e não assisto a videoclipes propositalmente, para manter o meu próprio estilo. Quando você escuta muita coisa nova, começa, inconscientemente, a fazer coisas como as outras pessoas. Essa é a minha fórmula de criatividade", lembra ainda.

Logicamente, não foi sempre assim. Mesmo antes de surgir com o malandríssimo Supa Dupa Fly, em 1997, o trabalho de Missy tinha ecos nítidos de Salt-n-Pepa, o lendário trio de mulheres rappers, dos anos 90. "Comecei a rimar no colegial. Ouvia muito LL Cool J e Run-D.M.C. Mas percebi que seria rapper quando ouvi Salt-n-Pepa pela primeira vez. Foi o divisor de águas. Comprei tudo delas. São a razão pela qual eu rimo", diz também.

Missy começou como produtora, rapper e compositora. Teve um grupo chamado Fayze, formado com amigos do bairro, que chamou a atenção de DeVante Swing, do grupo Jodeci. A partir dele, conseguiu um contrato com a gravadora Elektra. Conheceu Timbaland por intermédio de DeVante, que transformou o Fayze em Sista, embora o grupo não tenha ido além de uma canção na trilha sonora do filme Mentes Perigosas. O Sista debandou e Missy e Timbaland firmaram parceria. Estouraram nas paradas em 1997, com Supa Dupa Fly, a estreia e primeiro dos quatro aclamados discos de Missy (os outros são Miss E... So Addictive, Under Construction e This Is Not a Test!).

Programação. Além de Missy Elliot, a programação do festival Back2Black conta também com a veterana cantora Lauryn Hill, que atrasou duas horas em seu último show no Brasil. Lauryn toca na primeira noite, com Martinho da Vila, a revelação do soul nigeriano Nneka e Jupiter Okwess, o percussionista e cantor do Congo. Nas outras noites, o trompetista Hugh Mesekela, que fez bom show na edição londrina do festival, Naná Vasconcelos, Gal Costa e a excelente cantora do Mali Fatoumata Diawara estão na programação. A cantora americana de soul Santigold encerra o festival.

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