Missão cultural e cidadania

Coletivo Teatral Sala Preta, do Rio, leva arte e reflexão a zona de conflito

Felipe Branco Cruz, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Durante 35 dias, cinco integrantes do Coletivo Teatral Sala Preta, de Barra Mansa (RJ), enfrentaram drásticas mudanças de temperaturas, que variavam entre 7ºC a 34ºC, ônibus lotados, caminhões, barcas e pequenos botes, viajando pela Floresta Amazônica, região litorânea e pelos Andes em uma viagem pela área de fronteira do Equador. Foram mais de 700 quilômetros de percurso com a finalidade de realizar oficinas culturais, encenar peças teatrais com o intuito de despertar a reflexão sobre direitos humanos e envolver em atividades artísticas crianças e adultos que vivem nas localidades da fronteira e sofrem os efeitos do conflito armado na vizinha Colômbia.

Esta não é a primeira vez que a trupe, composta pelos atores Suzana Zana, Danilo Nardelli, Bianco Marques, Marcelo Bravo e Rafael Crooz, viaja ao Equador em uma missão cultural. No ano passado, foram até o país para participar da Red Ecuatoriana de Festivales, mostra internacional que passou há um ano por cidades como Manta, Guayaquil e a capital Quito. Foi nessa época que conheceram os integrantes da Humor y Vida, uma ONG equatoriana. "Recebemos o convite deles para voltar este ano para o Revuelta a la Mitad Del Mundo por Una Cultura de Paz", diz Rafael Crooz.

O Revuelta, cuja quarta edição foi realizada em agosto, é um projeto que busca fomentar intercâmbio cultural, promover a cidadania, a paz e integração social, proteger o meio ambiente e combater qualquer tipo de discriminação e xenofobia por intermédio das artes audiovisuais, cênicas e circenses. O grupo percorreu localidades como El Palmar, Puerto el Carmen e Lago Agrio; Túlcan e Chical; San Lorenzo e Palma Real, oferecendo oficinas de arte. Além dos brasileiros, a caravana incluiu um espanhol, um surinamês, quatro colombianos e um equatoriano.

Esses vilarejos com milhares de habitantes são desprovidos de água encanada, rede de esgoto, escolas, hospitais ou qualquer outra presença do Estado. Nessas condições precárias, a trupe optou por ingerir apenas alimentos como frutas, enlatados e peixes dos rios.

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