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MIS exibe polaroides de Andy Warhol

Estão expostas 300 imagens pertencentes à coleção do Museu Andy Warhol de Pittsburgh

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

04 de maio de 2012 | 03h07

"Nossa natureza é antagônica, ambivalente sempre", diz o fotógrafo Claudio Edinger, que encontrou no sertão da Bahia o local e o povo perfeitos para criar uma de suas mais belas séries de obras, os retratos da mostra De Bom Jesus a Milagres, em exibição no Museu da Imagem e do Som (MIS). São imagens coloridas, um trabalho em que a técnica representa o meio ideal para se alcançar uma carga simbólica - ao utilizar uma máquina especial, uma câmera de grande formato de filmes de 4x5 polegadas, as fotografias apresentam uma atmosfera em que apenas um de seus pontos está focado.

Edinger gosta de fazer citações - do pintor Francis Bacon, afirma que o papel do artista é aprofundar mistérios; do pós-impressionista Paul Cézanne, que a cor é onde o cérebro e o universo se encontram. Ao jogar com o foco/desfoco, o fotógrafo diz querer expressar "o verdadeiro olhar da gente". "A fotografia toda focada não representa a nossa visão, vemos o entorno das coisas sempre desfocado."

Assim, um homem ou uma mulher tornam-se "quase espíritos" nas imagens dessa série, parados em frente de suas casas ou de um muro amarelo. A menina de Andaraí, que acabou de pintar as unhas dos pés, é retratada com esse destaque. Um cemitério bizantino em pleno sertão ganha uma perspectiva diferente, transforma-se em uma linha branca em plena paisagem. Uma cigana negra, sobre fundo azul, lembra Ingres, mas é contemporânea também com o foco apenas nos seus dentes de ouro. E por aí vão as imagens, sempre requerendo nosso mergulho - e não à toa, todas elas estão em grande formato, 1,40 m x 1,70 m.

Ir e vir nas fotografias, assim como o fotógrafo, que fez sete viagens à Bahia, entre 2005 e 2012, para realizar as obras da série. "Quero fazer o mapeamento do País", diz Claudio Edinger, que além de exibir 28 imagens na exposição no MIS - com curadoria de Leonel Kaz -, lança livro do trabalho De Bom Jesus a Milagres, editado pela Bei. O sertão baiano, lugar do "inadequado", é retratado com a cor deslumbrante numa maneira de transcender a "esterilidade" da localidade.

Warhol e Candeias. No espaço redondo do MIS, ao lado das grandes fotografias de Edinger, as polaroides que o artista pop americano Andy Warhol (1928- 1987) criou entre 1969 e 1986 são pequenas e exigem outro olhar.

As famosas obras desse gênero clicadas por Warhol - retratos de celebridades, amigos, espaços interiores, objetos como sapatos e facas, autorretratos - já foram exibidas no País em mostras no Centro Cultural Banco do Brasil e na Pinacoteca, mas a atual exposição, com 300 imagens, sendo 210 inéditas e pertencentes à coleção do Museu Andy Warhol de Pittsburgh, realça um espectro intimista na curadoria de Diógenes Moura.

Fotografia, linguagem, palavra e história - contadas em textos do curador a partir da biografia do artista - criam percurso redondo e de imagens reunidas em conjuntos. "Era um meio de perversidade em que ele vivia, mas havia sofisticação, uma estética que não se vê hoje", diz Diógenes. Yoko Ono e John Lennon, Stallone, a princesa Caroline de Mônaco, Mick Jagger, transexuais, a amiga Brigid Berlin e o próprio Warhol estão imortalizados, ironicamente, na "superfície" de polaroides que seriam banais.

Ainda na programação de fotografia, o museu abre a mostra Ozualdo Candeias - Rua do Triumpho, com curadoria de Eugenio Puppo e que homenageia o cineasta da Boca do Lixo.

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