Mirins retornam a "Laços de Família"

A queda de braço entre a Rede Globo e o Ministério da Justiça teve mais um round, desta vez com a vitória da emissora. A emissora carioca conseguiu suspender a liminar de autoria do Ministério Público do Rio que impedia a exibição de cenas de sexo e violência na novela Laços de Família, além de proibir a participação de menores na trama.Com a queda da liminar, a novela voltou a ser apresentada às 20h30 (horário inadequado para menores de 12 anos), e não mais às 21 h (inadequado para menores de 14). A liminar que concedeu esta vitória da Globo na Justiça foi expedida pelo desembargador Reinaldo Pinto Alberto Filho.Na semana passada, a emissora já havia tentado derrubar a liminar com um agravo de instrumento, que foi negado pela desembargadora da 6ª Câmara Cível, Letícia Sadas. Na última quinta-feira, a Globo voltou à carga utilizando um pedido de reconsideração, que foi aceito. Nele, a Globo alegava que a mudança de horário acarretaria na quebra de compromisso com os anunciantes e que a ausência dos menores inviabilizaria o desenrolar da novela. Mas é cedo para a Globo cantar vitória: o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, José Muiños Piñeiro Filho, avisou que irá recorrer da decisão. Mesmo que não o faça, o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio, Siro Darlan, autor das ações contra a emissora, promete novos atos na Justiça para impedir as cenas de sexo e violência e participação de menores nas novelas. Darlan defende o afastamento das crianças do elenco de Laços de Família por considerar que "elas são submetidas a cenas de sexo e violência". Apesar disso, confessou que não acompanha a novela e nem sabe o nome dos seus personagens.Darlan negou que a Portaria 796 possa abrir precedentes que favoreçam a volta da censura e completou com uma observação curiosa: "Censura é a Globo deixar o Chico Buarque 20 anos fora da sua programação", afirmou o juiz, que também negou que seus atos sejam uma represália contra a Globo pelo fato de seu filho, Guilherme Camratti, de 14 anos, não ter sido aprovado em um teste na emissora. "Ele concorreu com outras 10 mil crianças, e ficou entre os 80 pré-selecionados. Não foi aproveitado por não atender ao perfil do Angel Mix", disse, referindo-se ao programa da apresentadora Angélica. Enquanto a Globo conseguiu uma vitória na Justiça, outras emissoras continuam caindo nas garras do ministério. A Tevê Gazeta teve alterada a classificação de dois de seus programas. O Festa do Malandro terá de ser transferido das 18 h (classificação livre) para as 22 h (adequado para maiores de 16) e o Clipper, apresentado por Crica Moraes, passará das 18 h (livre) para as 20 h (inadequado para menores de 12). A notificação do Ministério da Justiça recebida pela Gazeta não explicava os motivos da reclassificação.

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