Festival SWU/Divulgação
Festival SWU/Divulgação

''Miramos só bandas que são engajadas''

Mentor do megafestival de rock diz que cortou grupo que só queria ''grana''

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Itu pode tirar onda. A velha mania de grandeza da cidade paulista (100 km de São Paulo) agora tem mais uma justificativa: a partir desta noite, começam a chegar à cidade hordas de fãs de rock do País e da América Latina para o maior festival de música do País, o SWU Music and Arts Festival. Mais de 400 caravanas vindas do Amazonas ao Rio Grande desembarcam na bucólica Fazenda Maeda.

"Essa marca, SWU, há poucos dias atrás não existia, e hoje nosso portal tem mais de 3 milhões de visitas únicas", maravilha-se o organizador do festival, o publicitário Eduardo Fischer, do grupo Totalcom, em entrevista ao Estado, acompanhado de seu sócio na empreitada, o empresário Milkon "Mac" Chriesler, da The Groove Concept. "Com a natureza exuberante que temos, é estranho um país com o nosso potencial nunca ter tido um festival como este."

Já houve problemas de segurança em megashows. Aconteceu em Roskilde, na Dinamarca, em 2000, durante show do Pearl Jam, e na Love Parade, em julho, em Berlim. O que garante que o seu festival é seguro?

Primeiro lugar: a fazenda é muito aberta, é muito ampla. Aquele negócio que houve na Alemanha, você tinha de passar por um negócio que era quase um funil, debaixo de uma ponte.

E o caso de Roskilde?

Eu conheço bem Roskilde (Mac). Na época, eles trabalhavam com uma espécie de gradil, duas bases de grade, e entrava todo mundo pela lateral. E havia 60 mil pessoas pulando, pulando, e empurrando todo mundo. Quem estava na frente não tinha como sair. Nós temos três bases de grades, não tem aquele número de pessoas fechando. Aí você tem o setor Premium, e depois do setor Premium, mais uma base de grades.

Como diques de contenção?

Na verdade, hoje em dia as bandas nem sobem no palco se não houver esse sistema de contenção. O Pearl Jam foi a primeira, porque foi no show deles que aconteceu. Eles estavam tocando e viram nove pessoas sendo esmagadas na frente deles. Os grupos não admitem mais isso. Tivemos mais de uma dezena de reuniões com a Defesa Civil, a Polícia Militar, estive duas vezes com o Delegado Geral de Polícia de São Paulo, há coordenação com o Denarc, a Delegacia Especial de Turismo. O governador sancionou o SWU, é agora evento oficial do Estado de São Paulo. A segurança está muito esquematizada. Fora isso, temos 15 ambulatórios, e um micro-hospital, um centro de remoção, resgate de helicóptero. Estamos supertranquilos. Mas sempre tem coisas que fogem do controle, espero que não haja.

E quanto ao trânsito? Sempre que há um caminho só para algo dessa dimensão, há problemas....

Nos mapas, você consegue visualizar todos os acessos. E fechamos com a Viação Tietê, vão ser disponibilizados mais de 600 ônibus por dia, fazendo o traslado na Barra Funda e no Tietê, a cada meia hora. E quem for de ônibus vai parar dentro da área, se for de carro terá de andar. Estamos incentivando isso por causa da sustentabilidade. Se vier de carro, quanto mais pessoas vierem no carro, mais barato fica o estacionamento. Se for sozinho, vai pagar caro. Fechamos acordo com uma cooperativa de táxi de São Paulo, que dará preços especiais de Guarulhos até a fazenda. Basta mostrar o ingresso do SWU. Teremos um monitoramento desde São Paulo até a arena. Haverá postos da Castelo Branco monitorando esse fluxo, orientando qual o caminho adequado para chegar.

Dave Matthews gravou comercial apoiando os princípios do festival. Quais outros artistas estão engajados?

A maioria das bandas que a gente foi atrás, a seleção, já foi feita a partir do engajamento. "Tem militância social, ambiental? Então vamos atrás dessa banda." É quase 100% de engajamento. Houve o caso de um grupo que disse: "A gente não está nem aí para esse movimento, queremos a grana!" Automaticamente, nós paramos com a negociação. O espírito do SWU facilitou muito. O Rage Against the Machine, que talvez nunca viesse, porque é uma banda muito politizada, veio por causa do movimento. O Linkin Park resolveu lançar disco aqui por causa do SWU. Tem o Incubus, o Pixies, bandas que realmente vestiram a camisa.

O Pearl Jam, por que não veio?

Acontece que o vocalista vai casar justamente agora. Eles viriam, mas não puderam. Outro dia estive com o Slash, em Atlantic City, sou amigo dele. Ele sabia que o Pearl Jam poderia vir, e perguntou se viriam mesmo. Eu disse que eles não viriam mais porque o Eddie (Vedder, vocalista) vai casar. Slash brincou: "Já vi muita gente dizer que, por causa de um evento, não ia dar para casar. Mas nunca vi ninguém perder um show para casar." Mas o Eddie cedeu um vídeo exclusivo.

Como permitir que o festival receba menores em shows como Linkin Park e Kings of Leon?

Conseguimos que seja permitida a entrada de menores de 14 a 16 anos, acompanhados dos pais. Mas nosso público não pega muito a galera de 12, 13 anos.

10 RAZÕES PARA IR AO SWU...

Shows inéditos, estreias e teste de solidariedade

1. Os grupos Kings of Leon e Linkin Park estarão fazendo no festival o lançamento de seus novíssimos discos;

2. Um show dos Pixies é algo raro; foi a banda que deu de mamar ao grunge e disseminou um conceito de integridade;

3. A lendária banda Rage Against the Machine vem com sua formação original pela primeira vez ao País, com ativismo, politização e originalidade;

4. Na música eletrônica, entre os imperdíveis, está o DJ holandês Tiësto, um dos nomes mais famosos da música eletrônica atual e número 1 do Top 100 da DJ Mag;

5. Outro retorno sempre muito aguardado é o da banda cult brasileira Los Hermanos, sem dúvida uma das mais originais dos últimos dez anos no País;

6. Responsável pela reinvenção do rock pesado nesta década, volta após nove anos o Queens of the Stone Age;

7. Herdeira de uma tradição de cantoras "uterinas", como Tori Amos, Björk e outras, chega ao País pela primeira vez a norte-americana Regina Spektor, voz incomum;

8. Brasileiros de qualidade, como Otto, Lucas Santtana, Bomba Estéreo, CSS, Cidadão Instigado, Curumin e Macaco Bong reivindicam seu quinhão de plateia;

9. Vale como uma prova de fogo de cidadania o desafio de acampar no SWU. Se os jovens não puderem dar o exemplo comunitário, quem mais pode?;

10. Indie das antigas, não se pode esquecer o Yo la Tengo.

SWU

R$ 210 a R$ 580 - site www.ingressorapido.com.br, call center 4003-1212. Estacionamentos na Fazenda Maeda

Valor: carros com até 3 pessoas - R$ 100,00 por veículo/dia; carros com 4 ou mais pessoas - R$ 50,00 por veículo/dia. Estacionamento gratuito para quem comprou ingresso para os campings e chegar entre às 10 h do dia 8 até as 10 h do dia 9. www.swu.com.br

 

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