Minissérie "Mad Maria" estréia hoje

A minissérie Mad Maria, de Benedito Ruy Barbosa, estréia hoje na Globo, após Big Brother Brasil 5. Com um roteiro até certo ponto ficcional, Mad Maria mostra como foi a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, uma insana tentativa norte-americana de rasgar a selva brasileira com o progresso dos trilhos. "É uma obra de ficção, inspirada em fatos reais, e por isso temos liberdade para contar a história", diz o diretor Ricardo Waddington. A inspiração veio do livro Mad Maria, escrito por Márcio Souza em 1980. Assim como fazem Rubem Fonseca, em Agosto, e Érico Veríssimo, em O Tempo e o Vento, o autor amazonense narra um momento histórico do País misturando o drama de personagens fictícios com a saga de figuras reais, como Percival Farqhuar. Farqhuar, o empresário norte-americano, que comprou a concessão do governo para construir a ferrovia, aparece na tela na pele de Tony Ramos. "Quando o ator vive um personagem histórico, o melhor que tem a fazer é fingir que ele não existiu", brinca o ator, que emendou Cabocla com a minissérie. O papel de mocinha ficou para Ana Paula Arósio, que será a pianista Consuelo, uma boliviana que perde o marido e seu piano durante um naufrágio e aparece quase morta no acampamento da ferrovia. Lá, conhece o índio Joe Caripuna (Fidellis Baniwa) e o médico americano Richard Finnegan (Fábio Assunção).Os mais saudosistas devem se emocionar com imagens do palácio Monroe, prédio da antiga sede do Senado Federal, demolido nos anos 70. Com fotografias da época e recursos de computação gráfica, a Globo reproduziu o edifício para gravar o cotidiano do ministro J. de Castro (Antônio Fagundes). Também no Rio vive Luísa (Priscila Fantin), menina pobre que enriquece ao virar amante do ministro, oficialmente casado com Amália (Cássia Kiss). Revoltada com a indecisão de Castro, ela se envolve com o principal inimigo dele: Farqhuar (Tony). Esperto, o empresário usa a relação extra conjugal do político para chantageá-lo e implantar seus planos mirabolantes no Brasil. Em 1985, Mad Maria foi escolhida para comemorar os 20 anos da Rede Globo, porém não foi viabilizada por não haver tecnologia suficiente na época. Passados 20 anos, ela estréia na emissora para celebrar os 40 anos, repetindo o orçamento médio das minisséries anteriores: R$ 200 mil por capítulo.Além dos bastidores políticos da época, o que será destacada é a rotina dos trabalhadores que atuaram na construção da ferrovia. Muitos deles deram suas vidas por essa obra e morreram vítimas de doenças, abatidos pelo cansaço ou violentados pelos próprios companheiros, isso sem falar nos bichos.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2005 | 13h23

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.