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Minhas férias

Teve a história do casal australiano que comprou ingressos para assistir a uma partida da Copa do Mundo em Salvador, na Bahia, e foi parar em El Salvador, a 6 mil quilômetros de distância, por causa de um erro da agência de viagens. E do turista britânico que foi pego no Aeroporto Internacional de Dubai com uma bituca de 0,003 grama de maconha colada na sola do sapato e foi condenado a quatro anos de prisão (ele acabou sendo perdoado). Conta-se também da história de um suíço que foi preso nos Emirados Árabes Unidos por portar três sementes de papoula na roupa, migalhas de um sanduíche que ele comeu no aeroporto de Londres. 

Vanessa Barbara, O Estado de S. Paulo

06 Julho 2015 | 03h00

Muita coisa pode dar errado durante uma viagem, como perder três dedos do pé no Panamá ou ser erroneamente diagnosticado com câncer no Havaí, ou até voltar de Belize com cinco larvas no cérebro. Além disso, há grandes imprevistos que podem ocorrer na sua ausência - lembro da história de uma chinesa que, em 2001, passou um mês de férias com os pais, deixando o marido sozinho em casa. Quando voltou, descobriu que o papagaio do casal havia adquirido um novo vocabulário: agora ele sabia falar “divórcio”, “eu te amo” e “tenha paciência”. Aparentemente, a ave estava escutando conversas telefônicas do marido com a amante. Ao entrar com o pedido de divórcio, a mulher cogitou a possibilidade de levar o papagaio como testemunha. 

Como eu disse, férias podem ser perigosas. Este ano tirei a primeira folga remunerada da minha vida e, enquanto eu estava fora, os Bombeiros tiveram de ser acionados. O incidente envolveu um gato preso na lança do portão, vizinhos correndo para socorrê-lo com alicates e o dedo do meu pai sangrando profusamente, após uma tentativa de resgate que redundou em vigorosas mordidas. A vítima felina já foi mencionada nesta coluna: é um gato de cor caramelo que pertence à máfia local e andou dando mostras de insubordinação, motivo pelo qual se especula que não tenha sido um acidente. Apesar do susto, gato e dedo passam bem. 

Muitas coisas ocorreram durante a minha ausência: oito dirigentes da Fifa foram presos num escândalo de corrupção, o Senado aprovou sérias restrições ao seguro-desemprego, a padaria Flor do Mandaqui passou a servir jantar (o isopor de sopa vale muito a pena), o casamento homossexual foi legalizado nos Estados Unidos, meu plano de saúde aumentou 16,30%. Os vizinhos novos contrataram um personal trainer e passaram a ligar o som no volume máximo todas as tardes. Uma das minhas tartarugas foi dada como morta só porque estava dormindo pesadamente. 

Você sai de férias e volta diferente, mas, da mesma forma, mudam as coisas que sempre estiveram ao seu redor.

Enquanto eu estava fora, achando que vivia uma grande aventura em terra estrangeira, a minha casa sofria uma grave - e até agora inexplicada - infestação de tatus-bola.

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