Qual o motivo que o levou a fazer este filme?

Entrevista com

24 de dezembro de 2012 | 04h35

Quando li o roteiro, vi algo bruto e simples. Há um diálogo entre Tom e Naomi Watts, quando ele a vê machucada e diz que não consegue vê-la daquela maneira. É um diálogo muito poderoso. A primeira vez que li esse roteiro, nem sabia que era baseado em uma história real. Este não é um filme que tenta recontar a história do tsunami, mas a história de uma família que sobreviveu àquela tragédia.

Você nunca interpretou um pai anteriormente.

Pois é, nunca me ofereceram um papel de pai de família. Talvez porque não parecia velho o suficiente, mesmo sendo pai há 16 anos; tinha 24 anos quando tive minha primeira filha. Mas nunca interpretei um pai no cinema. Para mim, este é um filme em que poderia explorar o amor que um pai sente por seus filhos e sua família. Sinto que nunca fiz isso antes no cinema.

E como foi trabalhar com as crianças?

Tudo foi feito de maneira delicada. Deixei claro que não faria nada de assustador para não traumatizá-los. Quando se trabalha com crianças, percebe que há uma chantagem emocional envolvida. Deixei claro que não faria isso e ele concordou. Mas elas também estavam cientes de que era tudo mentira. Nas filmagens, era como se fôssemos uma família mesmo. Os menores estavam tão animados de me ter como um pai de mentira... Após a cena terminar, era sempre eu que conversava com eles sobre a cena seguinte. Eu dizia: "Ok, meninos, agora estamos chateados, talvez não veremos mais a mamãe". Eles sabiam que me referia a Naomi Watts e não à mãe deles. E você via a tristeza no rostinho deles. No final de tudo, eu me sentia um canalha. Pensava: "Quem é esse escocês que manda as crianças ficarem tristes a todo o instante?" Eu era irritante.

Você improvisou bastante?

Você realmente tem de improvisar um pouco com as crianças, porque às vezes elas estão no momento e outras vezes não - é a natureza de trabalhar com crianças pequenas. Houve duas cenas brilhantes de improvisação delas. Em uma, digo para o pequeno Samuel que ele precisa ir com seu irmão procurar sua mãe, enquanto ficarei para procurar pela mãe dele, e ele diz: "Não! Nunca cuidei de ninguém antes". Aquele diálogo é um exemplo de improvisação brilhante e natural.

Você conheceu pessoalmente essas pessoas que sobreviveram ao tsunami? Como foi essa experiência?

Muito comovente. Desde o início, estava ciente de que seria muito delicado fazer um filme sobre esse tema. Eu me senti desconfortável até assistir. Há pouco tempo, percebi que existe uma grande responsabilidade de contar a história não só de uma maneira dramática para o cinema, mas de forma verdadeira. É difícil, porque quando você coloca uma câmera e faz um filme, há algo de glamouroso envolvido, mas esse filme é sobre um desastre, sobre pessoas que perderam suas vidas. Senti uma enorme pressão.

E como foi filmar no mesmo local onde aconteceu a tragédia?

Filmamos na Tailândia, no mesmo hotel onde a família estava hospedada. Quando estávamos na piscina do hotel, fizemos tudo da mesma maneira como a família fez quando esteve no local. Inclusive eles nos visitaram no set enquanto filmávamos. Foi tudo tão estranho. Os dois filhos deles acabaram se tornando figurantes em uma das cenas, em que estavam cobertos de sangue, lama, lá no fundo da cena. Foi muito esquisito.

Após viver personagens tão diferentes em diversos filmes, você traz essas experiências para sua vida pessoal?

Sim. Há uma influência certamente. Não poderia apontar agora qual dos meus papéis mais influenciaram minha vida, mas diria que sou motivado a realizar papéis por minha vontade de expressar o assunto da minha maneira como artista. Estou interessado em personagens em que possa adicionar algo. Quando interpreta personagens diferentes, você busca inspiração da sua própria vida ou da sua imaginação, e isso acaba se tornando o personagem. A sua vida colabora na criação de um personagem mais que da maneira inversa.

Você assiste bastante a seus filmes?

Não. Assisto aos meus filmes antes de falar com os jornalistas e também na première e só. Quando esbarro sem querer com algum filme meu na TV, é surpreendente. A minha atuação é muito intuitiva e quando comparo com a maneira que faria hoje, seria totalmente diferente. Outro dia esbarrei com Moulin Rouge (2002) na TV e fiquei chocado. Eu era tão ingênuo. Mas esse sou o "eu" de hoje pensando agora. Gostaria muito de fazer outro musical.

Seu próximo filme será dirigido por Bryan Singer, Jack - O Matador de Gigantes Como é seu personagem?

Muito diferente. Esse filme será mais técnico, de tela azul, como em Guerra nas Estrelas. Meu personagem será um guerreiro, Elmont, confiante, mas não muito eficiente. / P.C.

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