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Gabriel Gameiro/Divulgação
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Minczuk defende audições

O maestro Roberto Minczuk, diretor artístico e regente titular da Sinfônica Brasileira, garantiu em entrevista na noite de quinta-feira que as audições pelas quais devem passar os músicos da orquestra não vão acarretar em demissões. Segundo ele, as provas seriam apenas uma maneira de oferecer aos artistas um "feedback" sobre seus trabalhos, tendo como objetivo "atingir um nível artístico cada vez maior".

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2011 | 00h00

Na entrevista ao Estado, o maestro, que ainda não havia se pronunciado pessoalmente sobre a polêmica, insistiu que o processo de reavaliação é natural no momento em que a Fundação OSB se propõe a aumentar salários e oferecer novas condições de trabalho, "tendo como objetivo a busca por um repertório mais amplo, contratos de gravação e turnês" que vão exigir, acredita, maior comprometimento dos músicos e uma nova rotina de trabalho. Minczuk diz ainda acreditar que há um caráter positivo nesse momento da vida da OSB. A seguir, trechos da entrevista,

Como surgiu o plano de submeter os músicos da orquestra a audições? Foi uma decisão da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira ou um desejo do senhor, como diretor artístico e regente titular?

A decisão de fazer audições está relacionada à percepção da necessidade de um maior desenvolvimento artístico, que quer levar a Sinfônica Brasileira a novos patamares, como aconteceu com a Sinfônica do Estado de São Paulo. Desde que cheguei na orquestra, meu objetivo, a pedido da fundação, é trabalhar nesse sentido, buscando um nível cada vez maior. No final do ano passado, quando a fundação se viu com os meios, financeiros, inclusive, de oferecer melhores condições de trabalho, me incumbiu de fazer uma avaliação para que soubéssemos exatamente onde estamos artisticamente.

Com relação às audições, tem sido discutida a metodologia das provas. Para os músicos, uma avaliação deveria levar em conta uma série de outros fatores.

As provas, desde o início, são apenas um elemento, uma parte de um processo mais amplo. Para sabermos quais passos podemos dar, para determinar os rumos do nosso avanço artístico, precisávamos saber qual nossa situação atual e quais medidas deveriam ser tomadas para que houvesse crescimento.

A presença das provas sugeriram, porém, que uma dessas medidas seria a demissão de músicos da orquestra de acordo com o desempenho na audição.

Esse nunca foi o objetivo. A avaliação se faz num contexto mais amplo, em que o histórico de cada músico é levado em consideração, seu envolvimento com o conjunto, suas atividades. As audições têm como objetivo identificar as deficiências e oferecer aos músicos um feedback, para que eles possam se aperfeiçoar, refinar sua arte. Hoje (quinta), no primeiro dia de provas, ouvimos músicos com um senso de estilo muito preciso, mas nos quais falta um pouco de contrastes, de cuidado com a dinâmica. Identificar as deficiências e resolvê-las se encaixa não apenas no objetivo de crescimento da orquestra mas, também, no nosso plano de criar e desenvolver uma série de música de câmara, na qual os integrantes da orquestra vão poder desenvolver um outro aspecto muito importante de suas carreiras. Mas entendo que isso tenha assustado os músicos, é algo novo no Rio de Janeiro, é algo novo na Sinfônica Brasileira. E tudo que é novidade gera certa resistência.

Por que, em meio à polêmica, foi criado um programa de demissão voluntária, que acabou por reforçar o fantasma da demissão dentro da orquestra?

Veja bem, na verdade, o novo momento da orquestra envolve outros projetos importantes. Atingir um novo patamar artístico significa encarar desafios maiores em termos de repertório, assumir compromissos de gravação, turnês. E, para isso, é preciso aumentar o número de ensaios, estabelecer novos horários. É por isso, inclusive, que haverá um aumento na remuneração. Além disso, estamos contando com a inauguração da Cidade da Música, na Barra da Tijuca, que será a nossa sede. Mas a Barra é um local de difícil acesso, a locomoção até lá é demorada, vai exigir mais tempo. Levando tudo isso em consideração, é natural que um músico opte por não continuar na orquestra e, para esses artistas, foi criado o programa de demissão voluntária.

As provas começaram na quinta-feira, enquanto mais de 50 músicos da orquestra participavam de uma manifestação em frente ao Ministério do Trabalho, contra as audições. Os artistas que faltaram na avaliação receberam cartas informando de sua suspensão e, se não comparecerem na nova data marcada pela orquestra, serão demitidos. A reunião da fundação com os músicos deve acontecer apenas no dia 17, um dia antes do final das audições. Estamos diante de um quadro no qual, daqui a uma semana, dois terços da Sinfônica Brasileira estará sem emprego?

Não trabalhamos com esse cenário. Esperamos que os músicos entendam o caráter positivo das provas, que a avaliação é uma forma de valorizar o trabalho deles, percebam que o histórico de cada um será levado em consideração. E que esse não é um processo pessoal meu, é uma questão institucional, decidida pelo conselho presidido pelo Eleazar de Carvalho Filho. É a instituição que está buscando uma nova realidade.

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