Minas discute seus festivais

Cerca de 30 representantes de eventos realizados em Minas se reuniram esta semana em Belo Horizonte para discutir formas de organização dos festivais culturais no estado. O 1º Encontro de Realizadores de Festivais Culturais de Minas, realizado no Palácio das Artes, terminou ontem, após reflexões e diálogos entre os organizadores dos festivais e a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) durante três dias.O evento foi uma iniciativa do professor Mário Neto, da Funrei (São João Del Rey), que teme a concorrência e o possível fim de alguns eventos de cultura de Minas. Somente este ano, no mês de julho, Minas teve 12 festivais acontecendo ao mesmo tempo.Durante o encontro, os organizadores, divididos em quatro grupos de festivais (artes cênicas/música, institucionais/universitários, audiovisuais e especiais), apresentaram suas reivindicações e expuseram suas experiências.Sobrevivência - Os principais problemas apontados pelos organizadores dos festivais foram a difícil viabilização econômica e a falta de um calendário organizado. Eles sugeriram alterações nas leis de incentivo cultural e na sua forma de arrecadação, para que fatores como a pré-produção, por exemplo, sejam contemplados de maneira satisfatória. Além disso, os organizadores insistiram na necessidade urgente de providências, já que, segundo eles, muitos festivais estão perdendo a identidade e podem deixar de existir, devido à concorrência de público e aos altos custos operacionais.De concreto, o encontro definiu a criação de um fórum de discussões permanentes, que será uma instituição legalizada como instrumento de pressão dos organizadores junto aos órgãos públicos e patrocinadores. Já foi definida uma pré-comissão com sete membros, sendo seis representantes dos festivais e José Eduardo Liboreiro, superintendente de Ação Cultural da SEC. No dia 20 de novembro esta comissão apresentará uma primeira proposta de estatuto e regimento interno para que o fórum seja instituído definitivamente.Segundo o Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, o Estado cumpriu o seu papel no encontro na medida em que "possibilitou um primeiro momento para a reflexão e discussão de necessidades dos festivais de Minas". O Secretário propôs, desde a abertura do evento, a criação de um circuito de festivais com calendário bem definido, uma vez que Minas recebe hoje vários festivais nacionais e internacionais, como o FID (de dança) e a Mostra de Cinema em Tiradentes. "Queremos criar um espírito de cooperação com este fórum, que é o primeiro passo para o circuito, estabelecendo uma ação direcionada e organizada", diz. Para Rita Cupertino, produtora envolvida em vários festivais como o Encontro Mundial das Artes Cênicas e o FIT, a criação do fórum é um primeiro passo para as mudanças. "Eu só tenho a aplaudir a iniciativa da Funrei e da Secretaria por ter abraçado esta idéia", afirma Rita. Ela acredita que a iniciativa vai possibilitar um circuito organizado, que possibilite não só o aperfeiçoamento cultural, mas também a geração de empregos o desenvolvimento na área de turismo.Raquel Hallak, uma das organizadoras da Mostra de Cinema de Tiradentes, lembra que a questão do fórum é uma antiga reivindicação. "Só acredito em mudança com a criação deste mecanismo como atividade permanente", afirma. Ela lembra que este ano foi criado um fórum com os mesmos objetivos para a área audiovisual, logo após as mostras de Tiradentes e de Recife. "Viemos trazer nossa experiência", diz. Para Fernanda Hallak, outra organizadora da mostra, "o encontro foi uma ótima oportunidade de entrar em contato com os produtores e dividir nossos problemas e sucessos".

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