Milton Nascimento festeja o álbum 'Clube da Esquina'

Uma travessia não, mil. Milton Nascimento perde as contas quando fala das vezes em que deixa uma casa para viver em outra. Ele sai criança do Rio de Janeiro, vai para Belo Horizonte, segue para São Paulo, volta para Belo Horizonte, segue para o Rio, volta para São Paulo e retorna ao Rio. Isso, no início, sem dinheiro no bolso. Era um violão no saco, um jeito de menino pidão e uma fome que não avisava a hora de chegar. "Minha vista escureceu e eu escorei no muro para não cair na rua", lembrou ele de um dia em que procurava emprego em São Paulo.

AE, Agência Estado

26 de abril de 2013 | 11h28

Nem sempre afeito a revisionismos, Milton vem sendo cercado pela saudade de forma lenta e gradual desde 2012, quando muito se falou dos 40 anos do álbum "Clube da Esquina". Um grupo de músicos mineiros, liderados pelo guitarrista Toninho Horta, saiu à procura de Milton para fazer nos palcos o show do disco que colocou Minas Gerais no sistema solar. Mineiramente, Milton se esquivou.

As lembranças dos 30 anos sem Elis Regina no mesmo 2012 o fez abrir outras gavetas da alma. "Eu era perdidamente apaixonado por ela", disse em suas entrevistas. Um espetáculo para acalmar tanta nostalgia chega a São Paulo nesta sexta-feira, 26, no HSBC Brasil. Com ingressos esgotados, uma nova data foi confirmada para o dia 28 de junho. O nome do show é "Uma Travessia" e seus dois convidados especiais da noite, Lô Borges e Wagner Tiso, amigos de infância e do Clube da Esquina, reforçam a ideia de autotributo.

"Eu, Lô e Wagner Tiso estaremos juntos em muitas partes do show, mas não cantaremos muitas coisas do Clube da Esquina", diz ele, aprontando o espírito de uma plateia que pode fazer confusão com as homenagens. "A gente tem tanta música para cantar que fica difícil priorizar só um disco." Uma Travessia já teve um de seus shows gravados para ser lançado em DVD nos próximos dias. Entre o que se pode esperar de certo, em um cancioneiro que Milton escolhe sem fazer força, estão "Caçador de Mim", "Canção da América", "Maria Maria", "Cais" e "Trem Azul". Claro, tudo sujeito a mudança.

Milton tem uma agenda instigante para este semestre. Antes de retornar a São Paulo para o segundo show no HSBC, vai à Turquia na condição de único brasileiro convidado da Unesco para cantar Travessia na festa do Dia Internacional do Jazz, que será celebrado em Istambul, dia 30. Difícil será seguir o protocolo. Seus parceiros de evento serão o pianista Herbie Hancock, o saxofonista Wayne Shorter (que já gravou com Milton e tocou até em um pequeno anfiteatro que o cantor tem no quintal de sua casa) e a contrabaixista e cantora de jazz Esperanza Spalding (uma devota fervorosa da obra do brasileiro). O nível de preocupação de Milton reflete a naturalidade do que é, para ele, estar em um time deste porte. "Istambul é bem longe né? A viagem vai ser longa."

Ainda este ano sai um disco com músicas inéditas do cantor, gravado em estúdios do Rio e dos Estados Unidos. Milton estará acompanhado pelo guitarrista Ricardo Vogt, jovem gaúcho com carreira no exterior, e pelo compositor e instrumentista Pedrinho do Cavaco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

UMA TRAVESSIA

HSBC Brasil (Rua Bragança Paulista, 1.281). Tel. (011) telefone 4003-1212. Sexta, 22 h (esgotado). Dia 28 de junho, 22 h.

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