Miley cansada de ser só ela mesma...

Atriz de Hannah Montana assume em A Última Música o desafio de fazer uma heroína diferente do que tem sido o padrão de suas atuações em filmes e série

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

É a piada mais cruel e talvez a mais gay de Sex and the City 2. Samantha, a fatal Kim Cattrall (que também está em O Escritor Fantasma, de Polanski), vai à loja com a amiga Sarah Jessica Parker comprar um modelito para o tapete vermelho do astro, seu ex-amante, que ajudou a projetar. Samantha quer arrasar, escolhe um vestido sexy, colante. A vendedora arrisca a pergunta: não é jovem demais (o vestido)? Samantha fica furiosa. Chega a pré-estreia. Ela topa com Miley Cyrus, que veste o mesmo modelo. Cria-se a saia-justa. "É sua mãe, Miley?", perguntam os jornalistas, enquanto estouram os flashes dos fotógrafos.

 

 

Trailer trailerAssista a trechos de A Última Música    

 

Miley Cyrus é uma das personalidades - outra é Penélope Cruz - que fazem pequenas participações em Sex and the City 2. Elas não melhoram o filme, mas o tornam mais divertido - Penélope como a representante de um banco espanhol que provoca ciúmes em Sarah Jessica. Pesquisa recente apontou Miley como uma das dez personalidades mais poderosas de Hollywood, na atualidade. A lista, claro, é encabeçada por Angelina Jolie. Miley deve sua posição à série - e ao filme - Hannah Montana. Ela troca o registro em A Última Música, que estreia hoje. Miley faz garota que mora com o pai. Ele é músico e está terminal. Compõe uma canção para a garota, que se envolve com o bonitão da praia, sem saber que ele é um super-herdeiro (e sua mãe não vê com bons olhos a relação com a "pobretona").

O que representa um papel como este para você?

Uma possibilidade de mudança, sem dúvida. Gosto de ser Hannah Montana, mas não dá para viver atrelada a uma só personagem. Tudo o que tenho feito na carreira, até agora, não deixa de ser uma versão de mim mesma. Hannah é uma personagem, mas tem muitas coisas minhas. A série está terminando e é tempo de diversificar, de ousar. Há coisas minhas em A Última Música, mas a situação familiar da personagem é diferente. Ela tem problemas com o pai e ambos precisam reaprender a externar o afeto. Há a questão da doença. Para mim, tudo isso é muito novo. Aqui, ainda estou aprendendo. Até as perguntas mudaram, mas é excitante, sim.

Nicholas Sparks (de Meu Querido John) é autor conhecido e escreveu A Última Música especialmente para você. É lisonjeiro?

Aumenta a responsabilidade, mas o importante é não ficar ansiosa, não deixá-la pesar. Sou crítica, mas não a ponto de me paralisar, achando que não conseguirei fazer as coisas. O importante é entrar num projeto desses consciente de que um dia se segue ao outro, que você vai dar o melhor de si e os outros também estarão empenhados. No final, haverá um trabalho de edição que selecionará o melhor. No caso do filme Hannah Montana, o filme, trabalhando num universo conhecido. Aqui, enfrento o desconhecido. Por isso foi interessante e também assustador acompanhar a montagem de A Última Música. Aprendi mais com esse filme do que com tudo o que fiz antes.

Você encerra uma fase de cinco anos como Hannah Montana. Como está sendo a transição?

Durante esse tempo fui conduzida, havia sempre alguém olhando por mim, pela minha carreira. Agora é tempo de eu pegar as coisas nas mãos. Começo a realmente andar por mim. Mas será preciso avaliar os resultados de A Última Música para saber se estou no caminho certo.

Já que você é uma das poderosas de Hollywood, o que representa esse poder?

Não me sinto assim, mas é evidente que o sucesso me possibilita fazer coisas. E há uma cobrança grande por resultados. Quero ousar, arriscar, e ao mesmo tempo a prudência me diz que devo ir com calma. No fundo, o meu público também está mudando. Será interessante se mudarmos juntos.

Desculpe invadir sua privacidade, mas o garoto que faz seu par parece apaixonado...

Liam Hemsworth e eu estamos juntos há algum tempo, é um dos confortos do filme, tê-lo ao meu lado. Nicholas (Sparks) foi muito bacana. Antes de escrever o roteiro, lhe dei uma geral do que gosto - animais, música, garotos australianos quentes. Ele somou tudo e me deu uma época intensa e divertida fazendo A Última Música.

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