Milão e Paris apontam nova onda feminina na moda

O que pode acontecer com a moda criada sob o impacto da guerra no Iraque e sob a vertiginosa queda de faturamento no mercado de luxo? Tudo, menos enlouquecer. Muito ao contrário: como já se viu em tempos pós-caos, como a crise de 1929 ou a 2.ª Guerra em 45, a tendência é suavizar e, de uma certa forma, até fragilizar buscando assim uma nova feminilidade, numa estética definida hoje como pós-feminista ou neo-feminina. Esta é a melhor síntese das coleções de prêt-à-porter para a primavera-verão 2004, lançadas ao longo do último mês em Milão e Paris. Corpetes e corseletes valorizam tanto o colo do peito quanto a cintura ? os dois focos principais da estação. Crises à parte, esta é uma estética que faz todo sentido para a geração de criadores que está no comando das principais grifes mundiais hoje. Na casa dos 30 anos, para esses criadores o feminismo é história e o terninho, artigo do passado. Moderno agora é vestido, saia, decotes, rendas e fricotes ? tudo o que uma outra geração inteira combateu em nome da igualdade entre os sexos. Bom para a mulher, que está mais livre do que nunca para definir o estilo que lhe cai melhor sem o risco de ser tachada de alienada e fútil só porque prefere um babado de renda a um tailleur estruturado. Nesta nova etapa, o preto vai para escanteio, as flores (uma profusão delas) partem para o ataque e as cores dominam o meio de campo ? do mais pálido tom de pele ao mais fluorescente pink, passando por tons suaves de rosa, azul e verde.

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