Nadja Kouchi
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Roberta Martinelli
Som a pino
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'Milágrimas'

Entre uma lágrima e outra eu canto, e não desisto nunca. Sou brasileira, sim!

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2019 | 03h00

Outro dia recebi um cantor para lançar o disco no Som a Pino, programa de rádio diário na Rádio Eldorado com mesmo nome desta coluna, e enquanto ele falava das dificuldades do Brasil, como o óleo que avança pelo Nordeste enquanto governantes não fazem nada, do assassinato de Marielle Franco (aliás, quem mandou matar?), algumas pessoas começaram a entrar na transmissão para xingar o artista. Achei forte. Eu me pergunto muito: essas pessoas são a favor de assassinatos? Elas querem o óleo destruindo nossos mares? Tem alguém aí que quer isso? Tem? Não me parece possível. No Fla x Flu em que nos metemos, independentemente de qual lado você está, você quer isso mesmo?

Mas, na coluna de música, temos também que pensar sobre isso? Eu acho que esses assuntos deveriam estar em todos os lugares. Mas, numa coluna de arte, é assunto obrigatório. 

Eu escrevo sobre música, mas eu também choro... E entre uma lágrima e outra, a arte me proporciona rompantes de esperança. E, nesses rompantes, eu vou. 


Rompante 1: 

Fico numa ansiedade louca, mais do que quando esperava Papai Noel ao saber que Chico Buarque (nosso artista duplamente vencedor do Prêmio Camões) vai lançar um livro novo chamado Essa Gente que chega às lojas no dia 14 de novembro. Ou seja, contagem regressiva autorizada... 9 dias para isso. 

Depois, eu volto a chorar...


Rompante 2: 

Escuto o lançamento do novo trabalho do Emicida, AmarElo, que está no repeat por aqui. Mas grifo nessa coluna uma  faixa chamada Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, que começa com um áudio dele com a filha bebê tocando chocalho e rindo enquanto ele “dá bronca” (aquela bronca brincadeira de pais, sabe?) dizendo “só que sem risadinha, certo, sem risadinha porque aqui é o rap, mano, o povo é bravo, o povo é mau, mau, mau”, enquanto a pequena gargalha mais e mais “para trabalhar nesse emprego de rapper tem que ser mau, entendeu, sem risadinha”. E ela gargalha mais ainda, no que ele reflete “será que o Brown passa por isso? O Djonga? O Rael?”. E ela vai rindo, aquela risada gostosa de bebê. A abertura dessa faixa é muito especial, ele brinca com a fama de mau do rap numa cena cotidiana que mostra o Leandro em casa com a família. Um amor, uma belíssima cena. E falando em cena, aproveito para grifar a participação de Fernanda Montenegro no disco. 

E pensando nela, me lembro de situações bizarras que estamos vivendo... E mais arte me salva. 



Rompante 3:

O encontro da cantora e compositora Tulipa Ruiz com o cantor e pianista João Donato começou no show de lançamento do disco Quem é Quem, que é da década de 1970, mas só teve o show em 2014. Depois, ela e o Gustavo Ruiz fizeram uma música para ele no disco Dancê e o convidaram a participar, e lá está ele na música Tafetá e agora lançaram um compacto com duas faixas e estão circulando por aí. Juntos e com muito amor. 

Entre uma lágrima e outra eu canto, e não desisto nunca. Sou brasileira, sim. 


Música da Semana - Todo se Transforma

O cantor e compositor Lucas Santtana está lançando o oitavo disco da carreira: O Céu é Velho Há Muito Tempo, um disco só voz e violão. Ele que estava no programa lançando o novo trabalho no causo aqui da coluna, por isso a música da semana. 

No disco, tem uma versão de uma composição de Jorge Drexler superconhecida que ficou uma lindeza na versão do Lucas. Tudo se transforma. 

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