Mikhail Baryshnikov, o mito da dança no Theatro Municipal

Ele volta ao País após nove anos, com seu grupo Hell’s Kitchen Dance

Helena Katz, especial para o Estadão,

24 de julho de 2007 | 17h02

Mikhail Baryshnikov volta a dançar por dois dias em São Paulo, nesta terça, 24, e quarta, 25, no Theatro Municipal, depois de nove anos de ausência. Desta vez, vem com a Hell’s Kitchen Dance, o grupo que formou no BAC - Baryshnikov Arts Center, centro que criou e dirige em Nova York. Os ingressos estão esgotados. Formada por 14 jovens talentos das melhores escolas americanas, a Hell’s Kitchen Dance se apresentará em São Paulo somente com 13, pois o noivo de Jodi Melnick morreu na semana passada e ela retornou aos EUA. Assim, Leap to Tall, o trio de Donna Uchizono que dançava com Baryshnikov e Hristoula Haraka, será substituído por dois solos compostos por Aszure Barton: Sweet Dream, com ela mesma, e ROM, com William Briscoe. Além dos dois solos, o programa é composto por Come in (2006), outra coreografia de Aszure Barton, na qual Baryshnikov, vestido de cinza, se destaca do elenco, em preto. A música é de Vladimir Martynov (com o mesmo nome da coreografia) e mais um tiquetaque de relógio. E por Years Later, de Benjamim Millepied, com música de Philipp Glass (Saxophones), Meredith Monk (St. Petersburg Waltz & Urban March) e Erick Saitie (Gnosiennes Nº1 e Nº3). Come in e Years Later usam projeções. En Come in, o vídeo, as fotos e a edição são de Kevin Freeman; e em Years Later, o vídeo é de Oliver Simola e a edição, de Kevin Freeman. Nas duas obras, a luz foi criada por Leo Jenks e os figurinos por Deanna Berg. Vale a pena atentar para a questão do tempo, que cada uma dessas duas obras trata de um modo particular. Na coreografia de Aszure Barton, além da estrutura cíclica, há um tiquetaque marcando a passagem do tempo. Na composição de Benjamin Millepied, Baryshnikov se vê em diferentes etapas da vida no vídeo. Nas combinações entre projeção e palco, se estabelece um jogo entre várias imagens e sombras, graças ao design da luz de Leo Jenks.  Para além da sua dança, elegante e digna, o papel mais importante de Baryshnikov, hoje, talvez seja o de colaborar com a educação do público que se deleitou com suas proezas quando ele era bailarino clássico. Quando decidiu parar de dançar o repertório que o projetara internacionalmente, passou a promover a dança contemporânea. Não somente passou a dançá-la, mas também a patrocinar novos coreógrafos. Se conseguir fazer com que as platéias que só saem de casa para ver pirotecnias aprendam a ver a dedicação que as sutilezas também demandam, estará mesmo prestando um serviço inestimável para toda a dança. Vê-lo nesse programa constitui, sem dúvida, uma ação nesse sentido.

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