Mike Leigh e o tempo

Em princípio, por seu "realismo", Mike Leigh não faz um cinema atraente para o presidente do júri. Tim Burton prefere os mundos paralelos, que, no fundo, aborrecem Mr. Leigh. Mas o novo filme do cineasta inglês leva jeito de estar na premiação final. Another Year é o melhor filme do autor desde Segredos e Mentiras, que ganhou a Palma de Ouro de 1996. A entrevista foi realizada numa praia da Croisette.

CANNES, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

Seu novo filme é muito rico e poderia, talvez, ser encenado como peça. O que acha?

Vou entender como um cumprimento, mas, para mim, Another Year só faz sentido como filme. Já ouvi comparações com Chekhov, mas ele analisa as pessoas que passam e desmoronam e meu filme é sobre o tempo, dividido segundo as estações.

É sobre o tempo, mas também sobre personagens que prolongam o dilema de seu filme anterior, Simplesmente Feliz. Acredita que existem pessoas com vocação para a felicidade e outras, para ser infelizes?

Agora é irrelevante dizer o que pretendi. Another Year corresponde a outro capítulo dessa minha vontade de falar sobre as pessoas e reproduzir na tela a vida como a vivemos. O cinema que cria outros mundos não me interessa. Não interessa nem aos que o fazem. Eles viajam a outras galáxias, criam universos imaginários para falar sobre aqui e agora. Prefiro ser direto.

A janela que o sr. abre para a realidade tem no trabalho com os atores seu ponto forte, ou não?

Agora, estamos de acordo. Roteiro e realização são fases importantes do meu trabalho e não faço diferença entre uma e outra. Mas o elenco, sim. Meus filmes não seriam nada sem os atores com quem tenho a felicidade de trabalhar. / L.C.M.

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