Miike põe ética em xeque (e choque)

Todo ano o Festival de Cannes garante certa dose de escândalo ao programar um filme com ousadas cenas de sexo. Este ano, a violência substituiu o sexo. O escândalo talvez tenha sido o cinema de gênero do japonês Takashi Miike. Os jovens adoraram. Os críticos (mais) veteranos se perguntavam o que um filme como Escudo de Palha fazia na seleção oficial do maior festival do mundo.

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h24

Takashi Miike gosta de personagens desmesurados, que lhe permitem colocar a ética em discussão. A ética social, a do espetáculo. Até onde um diretor pode ir na manipulação emocional do público? Miike parece uma figura bizarra, saída de um de seus filmes. Cabelo vermelho, roupas de metaleiro. Não é um senhor discreto como os demais autores japoneses de sua geração (ele tem 53 anos).

Escudo de Palha possui uma narrativa que não para de dar reviravoltas. Grupo de policiais é encarregado de dar segurança ao transporte de um assassino confesso. O cara mata crianças. O homem mais rico do Japão, avô de uma das vítimas, oferece uma fortuna a quem o liquidar. Inicia-se uma caçada humana. A cada etapa do caminho, surgem assassinos policiais. Dentro da própria polícia revelam-se os traidores.

Costa-Gavras fez uma ficção - O Capital - em que segue o conceito de Oliver Stone no segundo Wall Street. O dinheiro nunca dorme. Homens viram lobos, atrás de cada porta. É um filme que constantemente coloca em xeque a própria narrativa e a ética associada ao herói policial de Hollywood.

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