Miele: Personagem de si mesmo superava qualquer papel

Miele: Personagem de si mesmo superava qualquer papel

'Mandrake', primeira produção da HBO no Brasil, resgatou sua moldura cult

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 21h59

A presença de Luiz Carlos Miele em um set de TV era humor certo no estúdio e na tela do espectador, mesmo que a função a ele destinada não flertasse com o riso. Dono de um vasto histórico boêmio e de créditos que remetem à nata do entretenimento nacional, Miele era personagem maior que os papéis que representou. Poderia até se dar ao luxo de apresentar um programa de gosto duvidoso, como o finado ‘Cocktail’, onde mulheres de corpos esculturais desfilavam em trajes mínimos, no SBT dos anos 90, que ninguém haveria de vê-lo como asqueroso. Se o papel pedia um cafajeste, invariavelmente, ele era o mais adorável deles, sem jamais perder a elegância. Foi a música que levou Miele à TV, mas essas lentes, sempre tão carentes de um bom contador de histórias, transformou o homem em um curinga para todas as cenas.
Sempre bem alinhado dentro de sua coleção de smokings, fez história na era de ouro da música brasileira na TV. Dirigiu ‘Noite de Gala’ e ‘Cara & Coroa’, com Dori Caymmi e Silvia Telles, na TV Rio. Fez ‘Dois no Balanço’, uma versão de ‘Se meu apartamento falasse’ (com Cyl Farney e Odete Lara), ‘Rio Rei’, ‘Os 7 Pecados’ (com Fernando Barbosa Lima) e ‘Musical em Bossa 9’, na TV Excelsior, ‘O Fino da Bossa’, ‘Show em Simonal’ e ‘Elis Especial’, na TV Record, ‘Alô Dolly’, ‘Dick & Betty 17’ (com Dick Farney e Betty Faria), atuou na direção de musicais no ‘Fantástico’, sentou no banco da ‘Praça da Alegria’, de Manoel da Nóbrega, brilhou com Sandra Bréa em ‘Sandra & Miele’, dirigiu Marília Pêra em ‘Viva Marília’ e cuidou dos musicais de Flávio Cavalcanti. Na TV Manchete, fez ‘Ele & Ela’, com Leila Richers, e até ‘Escolinha do Barulho’, na TV Record.
Em 2005, a produtora Conspiração trouxe Miele de volta à moldura cult, ao colocá-lo em cena como Wexler, na série ‘Mandrake’, baseada na obra de Rubem Fonseca. Foi a primeira produção da HBO no Brasil. Voltou a ser lembrado por produtores de elenco como figura capaz de valorizar um set, como nas séries 'O Brado Retumbante', com Domingos Montaigner, ‘A Teia’, ao lado de João Miguel, e na novela ‘Geração Brasil’, com Cláudia Abreu.

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