Miele abre sua maison M.Officer em SP

Hoje, a esquina das Ruas Bela Cintra e Sarandi, nos Jardins, vai perder os últimos tapumes para a inauguração da loja Carlos Miele. Mas não será uma simples festa. A abertura do espaço - que deverá funcionar como as maisons européias, com loja e estúdio de criação - vai marcar a reestréia na cidade de uma das figuras mais conhecidas e polêmicas da moda nacional. Dono de uma grife de sucesso - a M. Officer, hoje com 96 lojas e 1.500 funcionários -, Carlos Miele, de 41 anos, foi um dos pioneiros no MorumbiFashion, evento que depois se transformaria na São Paulo Fashion Week. Em uma época em que ninguém achava que o Brasil era moda, ele enchia as passarelas de penas e artesanato. Mas acabou virando alvo de críticas. A imprensa fashion não via com bons olhos sua mistura de moda, arte e cultura e achava que havia marketing demais nos desfiles performáticos. Para piorar, Miele se desentendeu com boa parte do mundinho da moda. Em 2002, deixou a semana de moda paulistana para desfilar no Fashion Rio, mas ficou só uma temporada. Desanimado, chegou a pensar em largar tudo para passar a vida surfando, uma de suas paixões. Mas, antes, decidiu tentar a carreira internacional. Deu certo. Os oito desfiles que fez no exterior receberam elogios da crítica e hoje seus vestidos - que custam em média US$ 3 mil - estão em 93 pontos-de-venda de 22 países, incluindo a inglesa Harrods e a americana Saks. Dessa forma, tem roupas expostas ao lado de peças de Gucci, Dior, Armani e veste celebridades, como Christina Aguilera e Sarah Jessica Parker. Sua trajetória internacional começou em Londres. Em 2002, Miele montou um altar com imagem de Iemanjá, cruzes, velas e oferendas na igreja vitoriana de Saint Peters e desfilou sua coleção ao som de batuques e cantos nativos. No ano seguinte, já em Nova York, o bad boy - como ficou conhecido pela prática de box tailandês - encheu as passarelas de penas indígenas, rendas, búzios e técnicas artesanais. Em junho de 2003, inaugurou lá a primeira loja Carlos Miele. Raízes - Mesmo fora do Brasil, diz que nunca saiu. "Quando se está fora, suas raízes vêm mais fortes. Sempre pus a energia do Brasil nas minhas roupas, gosto da sensualidade da mulher, o artesanato é muito forte para mim." Detalhes que há alguns anos geravam comentários amargos. "Naquela época, o normal era ser minimalista e gostar do que vinha de fora. E o trabalho que eu fazia diziam que era folclórico", diz. "Era um pouco desgastante e comecei a ficar meio inseguro. Foi quando achei melhor tentar carreira fora."Os incentivos que recebeu no exterior também lhe dera7m novo ânimo para passar mais tempo no Brasil. Assim como as mudanças no circuito fashion, que puseram as coisas nacionais na moda, como ele sempre defendeu. Miele diz que volta mais maduro e querendo fugir de brigas e conflitos. Seu sonho é criar uma marca de luxo, que um dia esteja no mundo inteiro e faça o caminho contrário da globalização, criando empregos no Brasil. Mas traz também algumas idéias que prometem, mais uma vez, deixar o mundo fashion nacional em polvorosa. Cogita, por exemplo, criar um outro evento de moda, independente da São Paulo Fashion Week. "Se as estações são ao contrário, porque copiar o calendário de quem está acima dos trópicos?", pergunta. "Acho que o Brasil tem força para fazer um evento que interesse ao mundo inteiro." Começa um novo round.

Agencia Estado,

08 de março de 2005 | 17h41

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