Microfones antigos são roubados de cenário de espetáculo

Dois microfones originais da Rádio Nacional, usados nos anos 40 e 50, sumiram do Teatro Maison de France, que funciona no subsolo do consulado francês, no centro do Rio. Os equipamentos faziam parte do cenário do musical Rádio Nacional - As Ondas que Conquistaram o Brasil, em cartaz há seis meses. O sumiço acontece na mesma semana em que se descobriu o furto de mais de 3 mil documentos (entre fotos, cartões postais e gravuras) do Arquivo Geral da Cidade. Segundo a produtora do espetáculo, Cláudia Vigonne, a Radiobrás, responsável pelo acervo da Nacional, emprestou quatro microfones para a peça. De segunda a quarta-feira, quando não há sessão, eles ficam nos bastidores e, quando há outros eventos, são guardados a chave no camarim. "Na quinta, não houve espetáculo devido ao jogo do Brasil e, na sexta, quando chegamos, encontramos só os pedestais. Dois microfones haviam sido levados", contou Cláudia, que registrou o furto na Polícia Federal. "Houve um evento na terça-feira, mas não fomos avisados e, por isso, não guardamos o material de cena da peça."O administrador do teatro, Cédric Gottermann, explicou que a sala tem eventos diários. O da última terça-feira foi maior, pois era a entrega da comenda Chevaliers des Arts a Bertrand Rigot Muller, ao ex-adido cultural Romaric Süger Buel e à diretora dos Museus Castro Maya, Vera Alencar. "Neste dia, mais de 60 pessoas passaram pelos bastidores. Vamos contatar todas, mas é difícil identificar quem pode ter levado os microfones. O prédio do consulado tem porta com detector de metais, mas só funciona para quem entra, não na saída", explicou Gottermann. "Mas a produção do musical dispunha de três camarins com chave para guardar seu material de cena e não o fez."Este não é o único ponto nebuloso. O gerente de programação e ex-diretor da Rádio Nacional no Rio, Cristiano Menezes, não soube informar se os microfones roubados são originais ou réplicas nem contou por que a emissora emprestou os objetos do acervo para um espetáculo, quando o normal é fazer cópias cenográficas. Ele disse ainda que parte do equipamento veio de Brasília e tudo pertence ao acervo da Radiobrás, mas não tem seguro contra roubo ou qualquer outro problema.

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