Michael Moore teme que EUA vete filme feito em Cuba

País investiga viagem que cineasta americano fez à ilha para rodar SiCKO

Agencia Estado

07 Junho 2014 | 17h53

O cineasta Michael Moore guardou uma cópia do seu novo documentário no Canadá por temer que o governo dos EUA tente confiscá-lo por ter sido parcialmente filmado durante uma viagem não-autorizada a Cuba. O Departamento do Tesouro dos EUA está investigando a viagem que Moore fez em março à ilha comunista para filmar parte do seu documentário SiCKO (corruptela de "doente"), que faz um duro ataque ao sistema de saúde pública dos EUA. O lançamento nos cinemas norte-americanos está previsto para 29 de junho. Com algumas exceções, sempre com autorização do governo, os cidadãos norte-americanos são proibidos de viajar a Cuba devido ao embargo econômico mantido desde 1962. Mas Moore diz não ter violado leis porque viajou a Cuba em um "esforço jornalístico". "Trouxemos de volta 15 minutos do filme, e estamos preocupados com possíveis esforços de confisco", disse Moore em entrevista coletiva em Nova York. "Tomamos medidas há algumas semanas para deixar uma cópia ´master´ deste filme no Canadá, de modo que se (os EUA) nos tomarem o negativo nós teremos um negativo duplicado deste filme no Canadá." Moore, diretor de Fahrenheit 11/9 (2004), documentário anti-Bush de maior sucesso na história dos EUA - e seu advogado, David Boies, acusam o governo de cometer discriminação contra o cineasta. Investigação Uma porta-voz do Departamento do Tesouro, Molly Millerwise, se negou a comentar o caso, afirmando por e-mail que o órgão não confirma nem nega a existência de investigações. Moore viajou a Cuba com três voluntários que haviam trabalhado nas ruínas do World Trade Center, em Nova York, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Segundo ele, os voluntários sofrem de problemas de saúde depois de atuarem naquele local e têm dificuldade de acesso aos tratamentos públicos. Moore diz tê-los levado de barco até a base naval norte-americana de Guantánamo, que fica encravada no leste de Cuba e onde Washington mantém suspeitos estrangeiros de terrorismo - para ver se eles receberiam o mesmo atendimento médico gratuito dos detentos. Após serem barrados, eles decidiram ver que tipo de atendimento médico encontrariam em Cuba, país que tem um governo comunista que se orgulha da qualidade de seus hospitais.

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