México está longe de uma revolução, diz Carlos Fuentes

O escritor mexicano Carlos Fuentes descartou nesta quarta-feira que a atual situação política de seu país, com o líder esquerdista López Obrador se negando a reconhecer a vitória eleitoral do conservador Felipe Calderón, possa desembocar em uma nova revolução."A Revolução Mexicana de 1910-1920 já não é uma referência entre a população pela distância histórica e porque hoje o México é um país bastante estável e com uma classe média forte", afirmou Fuentes durante apresentação de seu novo romance, "Todas lasFamilias Felices" (Todas as Famílias Felizes, em espanhol), em Barcelona, na Espanha.Para o escritor, a revolução que vai acontecer no futuro será protagonizada por milhões de jovens latino-americanos que vivem em condições de pobreza porque, segundo argumentou, "depois das conquistas democráticas dos últimos 20 anos, a América Latina deve agora fazer frente às prestações sociais que exigem as pessoas que mais precisam de ajuda".Fuentes, que espera que a violência social no México não se transforme em "violência política", acredita que o Partido da Revolução Democrática (PRD0, que apóia López Obrador, deve aproveitar a força que tem no Congresso, na capital, nos municípios e na política nacional de seu país. Escritor destaca graves problemas sociais do país"O México tem graves problemas sociais que devem ser resolvidos e ninguém, nem mesmo López Obrador, pode se dar ao luxo de ser indiferente a essa questão", assegurou Fuentes, acrescentando que descarta a possibilidade de que haja, em razão das idéias pregadas pelo líder esquerdista, conflitos armados.Em "Todas las Familias Felices" Carlos Fuentes pretende fazer um "exorcismo" dos males que abatem a sociedade mexicana. "A violência, a violência" são as palavras que encerram a obra, em homenagem ao escritor inglês Joseph Conrad.O autor de "A Morte de Artêmio Cruz", lançado no Brasil pela editora Rocco, evoca o tema da família em seu último lançamento, já que "não é somente um dos elementos mais constantes da literatura, mas também tem um valor fundador na literatura e na religião, afinal a primeira família infeliz foi aquela formada por Adão e Eva, que foram expulsos do paraíso". O elo entre os 16 relatos presentes no livro são chamados pelo autor de "coros", algo que remete à antiguidade clássica, época em que os coros "davam voz à coletividade". No livro "Todas las Familias Felices", os coros têm um "caráter fatídico, trágico, porque é neles que se expressam os que não têm voz, os excluídos da sociedade, que estão presentes, mas ausentes, ainda mais em um país como o México, em que metade da população, cerca de 50 milhões, é jovem e vive na pobreza".

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