Mexicanos são os novos reis do show biz paulistano

As duas maiores casas noturnas de São Paulo, a maior do Rio de Janeiro e grande parte dos megaeventos trazidos para o Brasil passaram a ser controlados por uma empresa mexicana. A CIE (Corporação Interamericana de Entretenimento) já detém a maioria das ações das paulistanas Credicard Hall e DirecTV Music Hall e da carioca ATL Hall. Aos poucos, o grupo passa a acumular também importantes salas de teatro de São Paulo. Na Bela Vista, o Ópera, o Paramount e o Jardel Filho estão em poder da CIE. Os investimentos para a reinauguração do Paramount, prevista para 27 de abril, devem somar R$ 7 milhões. Para o retorno de uma das salas mais famosas de São Paulo, a empresa trará o musical Les Misérables. A montagem será a mesma realizada na Broadway (EUA). Mas todo o elenco será nacional e as músicas, cantadas em português.A entrada da CIE no País se deu rapidamente. Em 1999, comprou 30% das ações da Stage Empreendimentos, consórcio dirigido pelo empresário Fernando Altério, que já operava as casas DirecTV e Credicard Hall. Um ano depois, arrematou mais 40% da empresa e, em dezembro de 2000, adquiriu mais 20%. Altério passou a ocupar o cargo de presidente da CIE Brasil. A união com a produtora brasileira Mercury originou também uma poderosa divisão de shows. Entre os espetáculos por ela trazidos estão os últimos shows de Deep Purple, Simply Red, Os Três Tenores, Bad Religion, Lou Reed, Hanson e o Circo Imperial da China. Outra divisão de eventos, batizada Ehall, aumenta o poderio da empresa no controle dos espaços. É por meio dela que a CIE passa a alugar as dependências das casas Credicard Hall, Paramount, ATL Hall e DirecTV Music Hall.Segundo o próprio grupo mexicano, o CIE é hoje a maior empresa de entretenimentos ao vivo da América Latina. Seu atual presidente-executivo, Alejandro Soberón, a fundou em 1990, no México. Quatro anos depois, a empresa chegou ao mercado latino dos Estados Unidos, e sua expansão não parou mais. Em 97, entrou no Chile e na Argentina (onde controla o zoológico de Buenos Aires). Chegou à Colômbia em 98, Espanha e Brasil em 99 e ao Panamá no ano passado.Mas a grande cartada no Brasil deve ser mesmo a compra das casas de espetáculos. Ao assumir o Credicard Hall, a empresa passa a controlar a maior casa de shows da América Latina. Com capacidade para 5 mil pessoas sentadas, teve sua construção orçada em cerca de R$ 31 milhões. Também o DirecTV Music Hall é adquirido em ótimo momento. O espaço de Moema passou por recente reforma, estimada em R$ 2 milhões. Sua capacidade inicial, para 1,7 mil pessoas sentadas, foi reduzida em 800 lugares para maior conforto na platéia.Tamanha expansão já começa a provocar desconforto entre outros empresários da noite paulistana, que manifestam temor de um monopólio. Cássio Maluf, um dos proprietários do Via Funchal, diz que foi abordado pelos mexicanos, mas decidiu não vender a casa. "Acho que monopólios em geral não representam benefícios", afirma. "Principalmente por ser feito por uma empresa que vai controlar desde a venda de ingressos até a realização de shows." A diretoria da CIE Brasil, por meio de sua assessoria de imprensa, não quis comentar o assunto no momento.

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