"Meu sonho é cantar em uma Cuba livre", diz Gloria Estefan

Com 70 milhões de discos vendidos em todo mundo, Gloria Estefan, a rainha do pop latino, ainda não conseguiu realizar um sonho: "Cantar em uma Cuba livre", disse a cantora que deixou a ilha com apenas um ano de idade.Embora tenha crescido em Miami, para onde sua família fugiu quando Fidel Castro e sua revolução tomaram o poder em Cuba, Gloria disse se sentir "submersa" em suas raízes culturais."Tenho a mente americana e o coração cubano", afirmou a cantora, que também lamentou o fato de poder se apresentar para "povos de todas as nacionalidades", mas não para os cubanos."Não é que esteja feliz com a doença ou com a morte de alguém", disse, em referência à cirurgia que obrigou Fidel Castro a transferir provisoriamente o poder a seu irmão Raúl.Na opinião da cantora, o líder cubano "está preparando o povo". Além disso, ela diz que os últimos acontecimentos em si já representam "uma mudança", pois o que há em Cuba "não é comunismo, mas um fidelismo".Embora respeite as tentativas de "salvar o sistema e manter a revolução" já que "as pessoas temem o desconhecido", para ela "a mudança se aproxima e é por isto que estamos felizes: Pelos cubanos, que depois de tanto tempo congelados se unirão ao mundo".Apesar de suas opiniões sobre a atual situação da política cubana, Gloria lembra que apenas "Oye mi canto" e "Cuba libre" são canções com temática política."São mais nostálgicas do que políticas, pois, para mim, a música sempre foi um escape. Por isto, poucas vezes levo temas políticos para as minhas canções, pois me machuca muito", disse a cantora, filha de um soldado que trabalhava na segurança da família do presidente Fulgêncio Batista antes da revolução cubana e depois que se uniu ao Exército dos EUA.Após estudar Psicologia, Gloria Estefan iniciou sua carreira musical e conheceu Emilio Estefan, que se tornaria seu marido. Mais tarde ela se uniu à banda Miami Sound Machine, e se tornou em um símbolo do sucesso da cultura latina nos Estados Unidos.A cantora se diz "muito feliz" e orgulhosa pelo seu sucesso nos EUA, sobretudo por ter "aberto a porta para a entrada de outros artistas" como o porto-riquenho Ricky Martin e a colombiana Shakira."Me sinto feliz por eles, pois quanto mais cantores latinos de sucesso, melhor será para nossa cultura", declara a cantora, que interpreta suas canções em inglês e em espanhol.Gloria Estefan, sempre com a colaboração de seu marido, está trabalhando nas canções que entrarão em seu próximo disco, a ser lançado em 2007 e que foi definido por ela como "mais íntimo, mais acústico e mais cubano". A cantora também está preparando a edição do seu segundo livro infantil, parte de uma série protagonizada por um cachorrinho."Inspiração não me falta", diz, concluindo que para escrever canções ou textos "é preciso ser muito honesto".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.