"Metamorphoses" entra no ar cheia de novidades

As pretensões da Record são altas: beliscar a audiência da Globo. Assim, ao voltar a investir em novela, anuncia que optou por inovação em vez de imitação. Metamorphoses entra às oito da noite, um domingo, com pretensões de cinema e misturando reality show com folhetim - o elenco inteiro assistirá à estréia no Teatro Record. A direção-geral é da cineasta Tizuka Yamasaki, que assina Gaijin, seu primeiro e mais famoso longa. Ela grava em quatro frentes, cada qual com o seu mentor - todos do cinema, como Tânia Lamarca - e apenas uma câmera. O objetivo é tirar a novela da cidade cenográfica. Para este time, Tizuka convidou a badalada Fátima Toledo, que fez a preparação de elenco (atores e não atores) de Pixote, Cidade de Deus, Central do Brasil, Desmundo, Boleiros, Dois Córregos, entre outros, e que agora está com Wagner Moura e Lázaro Ramos em Cidade Baixa. "Não ensino nada. Estou junto com os atores para que eles descubram possibilidades dentro de um projeto", explica Fátima, para quem esta proposta é inédita na televisão. O elenco de Metamorphoses está experimentando seu método desde dezembro - exceto Paulo Betti, que viverá Marcos Ventura, um policial honesto. Citou Luciene Adami (famosa médica Diana), Luciano Szafir (dr. Lucas), Zé Carlos Machado (Carlos, marido de Diana), Domingos Meira (Diogo, filho de Diana), Talita Cardoso (Nina, namorada de Diogo) e Tallyta Cardoso (será ela mesma) como os "alunos" mais assíduos. Reality - Metamorphoses, que irá ao ar de domingo a sexta-feira terá como espinha dorsal uma clínica de cirurgia plástica. Logo no segundo capítulo, serão mostradas as imagens das verdadeiras operações de nariz e para a colocação de silicone da atriz Tallyta Cardoso. O mesmo ocorrerá com a ex-Miss Brasil/Beleza Internacional 92, Cristiane Rebello, que fez lipoescultura. Diferentemente de Tallyta, Cristiane não será personagem. Arlette talvez seja a "personagem" mais interessante, com mais histórias, deste folhetim. É dela a idéia do enredo, que mistura as cirurgias com o mistério de uma jóia, criação do francês George Bracque. Arlette, porém, não escreve uma só linha: senta-se à frente de um grupo de roteiristas, batizado de Charlote K., e diz o que quer no capítulo seguinte - esse time, aliás, deve ser mostrado no capítulo 5. Outro reality dentro da trama? Ninguém sabe. José Louzeiro, assim como Mario Prata, já esteve à frente desta equipe e chegou a admitir ao Estado que era ele quem encabeçava a misteriosa equipe de ghostwriters. Mas, na semana passada, a reportagem já não conseguiu localizá-lo na produtora. Comenta-se nos bastidores que Louzeiro pulou fora e que até o capítulo 10 ou 15, as coisas vão mais ou menos: muito do que Louzeiro escreveu foi preservado. O problema é que os capítulos seguintes não estariam agradando ao elenco - que conta com Myriam Muniz (Aspásia, avó de Diana e Circe), Vanessa Lóes (Lia, meia-irmã de Diana e Circe e que oferece seu rosto a Circe para ser transplantado, imagine só), Gianfrancesco Guarnieri (dr. Eugênio, uma espécie de pai para Diana e Circe), Zezé Motta (Prazeres, anestesista da clínica), Joana Fomm (Margot, mãe de Tallyta), entre outros. A Record nega que uma crise esteja tomando conta dos bastidores. Segundo a assessoria de imprensa da emissora, o diretor Artístico e de Operações, Del Rangel, vem acompanhando pessoalmente a edição dos capítulos. Por contrato, a Casablanca tem de entregar à Record 144 capítulos em HDTV (alta definição).

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