Metais em brasa na abertura do 17º PERCPAN

Teve afro-jazz, hip-hop e música cigana em noite festiva

Lauro Lisboa Garcia SALVADOR, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

A primeira noite do 17.º Percpan - Panorama Percussivo Mundial, anteontem no Teatro Castro Alves, em Salvador, reuniu três bandas que tinham em comum o fato de juntar percussão e sopros/metais, além de intervenções vocais. Cada um ao seu estilo, os paulistas do Projeto Coisa Fina (um dos dez grupos do coletivo Movimento Elefantes), a Kocani Orkestar (da Macedônia) e os americanos do Hypnotic Brass Ensemble provocaram estranhamento e levantaram a plateia com sonoridades potentes, performances impressionantes e musicalidade suprema.

Como lembrou o baterista, produtor e pesquisador Charles Gavin, que atuou como apresentador, "quem vem a este festival é para se surpreender", diferentemente de outros em que as pessoas vão "para ouvir o que já conhecem e gostam".

E de surpresa em surpresa, os jovens músicos do Projeto Coisa Fina abriram a programação em grande estilo, executando a obra do grande gênio da música afro-jazz brasileira, Moacir Santos (1926 -2006). Enaltecer a obra do mestre é chover no molhado, mas o Coisa Fina, que tem cinco anos e acaba de lançar o primeiro CD, traz a estimulante música de Moacir para um público diferente. Além de privilegiar as "Coisas" de Moacir, eles também lembraram J.T. Meirelles e o percussionista Mateus Prado provocou emoção ao homenagear seu mestre Ramiro Musotto, argentino radicado na Bahia que morreu em 2009 aos 45 anos e mudou os rumos da percussão baiana com seu imprescindível know how.

Fanfarra e jazz. Mudança rápida de palco e radical de som. A Kocani instaurou o clima festivo com sua sonoridade surpreendente, de ritmos quebrados, mas com alguma coisa familiar aos ouvidos brasileiros, juntando uma espécie de mambo orientalizado, valsa, música cigana rebuscada e cadências que remetem ao dobrado e ao paso doble das bandas de fanfarra. A combinação de instrumentos é também interessante: cinco tubas (sendo quatro barítono), acordeon, dois trompetes, saxofones e um tambor (parecido com a zabumba) tocados em ritmo alucinado.

Oito filhos do lendário jazz man Sun Ra mais um amigo deles fecharam a noite com uma atuação arrebatadora. Levantaram a plateia e terminaram o show com um tema muito apropriado que celebra a festa. São quatro trompetes, dois trombones, duas tubas (uma barítono) e bateria tocados por energéticos instrumentistas, que interagem com o público, fundindo, jazz, funk, hip-hop, afro-beat e outros "espectros musicais" que a eles interessa fundir. Com os metais em brasa, como só poderia ser com essa formação e com tanta força juvenil, além de temas próprios, eles incendiaram o palco tocando composições do pai e fizeram valer o nome da banda: é hipnótico mesmo.

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