Mestre Meneses

Escritos em pleno século 20, os concertos para violoncelo e orquestra de Hans Gál e Edward Elgar comungam de um certo ar de nostalgia romântica que passava ao largo das investigações da vanguarda - o que oferece um recorte conceitual perfeito a este disco. Mas se a primeira gravação do Gál atesta o ineditismo do álbum, é a leitura da obra de Elgar, tomada em conjunto com o enorme legado de registros disponíveis, que dá a medida do momento excepcional que vive o violoncelista Antonio Meneses.

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h09

Elgar escreveu seu concerto no fim dos anos 1910. A presença da 1.ª Guerra ainda é marcante, assim como os problemas de saúde que começam a acometer o compositor. A peça, desta forma, pode ser vista como uma espécie de retrato dolorido da memória de um mundo destruído por uma crescente sensação de desencanto. Isso, no entanto, tende a dar às interpretações um tom melodramático excessivo, que passa por cima da delicadeza na forma como Elgar constrói seu retrato de uma época - e, por que não, de si mesmo. Meneses, acompanhado da Northern Sinfonia, regida por Cláudio Cruz, corre na mão inversa. Do violoncelo, dita o tom da interpretação, quase camerística em certas passagens. A monumentalidade vem não da força, mas da intensidade da dor contida que dialoga com um constante desejo de alegria. Some isso à técnica e afinação precisas, ao controle impecável da emissão do som, ao cantabile sensível na construção das frases - e o registro de Meneses pode reivindicar um lugar no topo entre as versões disponíveis.

ANTONIO

MENESES

GÁL - ELGAR

Selo Clássicos

Preço:

R$ 35

EXCELENTE

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