Mestre em novas leituras

Três pianistas inovam em recentes gravações das sonatas de Beethoven

JOÃO MARCOS COELHO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h11

Quando três pianistas propõem novas gravações de sonatas de Beethoven, sendo que dois deles anunciam os primeiros lançamentos de uma integral com as 32 nos próximos anos, você fica curioso, é claro. Mas não resiste e dá uma dupla olhada: primeiro, em sua estante de CDs; e, em seguida, nos seus arquivos digitais no computador. Um e outro já estão abarrotados das gravações mais diversas deste que é, sem dúvida, um dos maiores, senão o maior monumento pianístico da história da música. E aí você se pergunta: será que eu preciso de mais três interpretações destas obras-primas?

Todos o que gostam de música clássica tropeçam neste dilema praticamente todo dia. Nem pense em dar uma olhada no iTunes ou na Amazon. Esta última relaciona 4.357 gravações. Neste momento, você se pergunta: por que sempre aparece alguém decidindo gravar de novo estas sonatas? Será que cada novo pianista tem algo diferente a dizer musicalmente sobre elas?

É grande a tentação de pensar que caímos num poço sem fundo em que as gravações vão se sucedendo, com sutis diferenças aqui e ali - como se detalhes justificassem tanta repetição. O raciocínio seguinte é: bem, estamos mesmo na era da interpretação. A música clássica é um museu em que cultuamos a música do passado. Mas será que Beethoven não tem mais nada a nos dizer hoje?

Olhares. Eis os novos intérpretes. O francês Jean-Eflam Bavouzet, nascido em 1962, venceu o primeiro prêmio do Concurso Internacional Beethoven de Colônia, na Alemanha. Jonathan Biss, de 1980, fez sua estreia profissional em Nova York em 2000 e desde então tem se apresentado com as principais orquestras norte-americanas.

Já Jeremy Denk nasceu 42 anos atrás em Durnham, na Carolina do Norte, e até agora só tinha gravado para selos independentes norte-americanos. Este mês sai sua primeira aventura por uma gravadora de prestígio, a Nonesuch, casa do Kronos Quartet, de Brad Mehldau, John Adams e outros músicos de grande exposição na mídia internacional. Jeremy Denk é daqueles segredos que de repente vêm à tona (algo parecido aconteceu, há uma década, com o brasileiro Nelson Freire, que depois de contratado pela Decca virou unanimidade mundial).

Os três pianistas que lançam gravações de sonatas de Beethoven este mês no mercado internacional parecem ter buscado desesperadamente diferenciais que os destaquem neste oceano beethoveniano. Vamos conferir?

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