Meryl Streep, uma dama de ouro prudente

Na terça, houve a coletiva mais concorrida até agora - a de Meryl Streep, que vai recebe um Urso de Ouro pela carreira. Haverá hoje outro encontro com ela, justamente para discutir o prêmio com a imprensa. A primeira foi sobre A Dama de Ferro, que estreia hoje no Brasil (e passa aqui fora de concurso). Ao lado da diretora Phyllida Lloyd, Meryl disse duas coisas interessantes, que vale reter. "Embora Margaret Thatcher urrasse e protestasse e tivesse de ser conduzida à força até o altar do feminismo, ela foi, sim, uma feminista radical." Outra frase: "Todas nós (mulheres), gostemos ou não, temos muito em comum com ela."

BERLIM , O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2012 | 03h09

Você vai ver no filme - não foi fácil para a filha do quitandeiro, como Thatcher era, ser aceita pela cúpula do Partido Conservador inglês. Ela teve de lutar muitas guerras, como Meryl diz ao militar, que duvida se ela será capaz de conduzir a guerra contra a Argentina, pelas Falklands (as Malvinas). Mas a diretora Phyllida Lloyd não teve coragem de colocar a cena que seria reveladora da ambiguidade da personagem. Durante todos os seus anos em Downing Street, Margaret nunca teve cozinheiro e nunca deixou de preparar pessoalmente, mesmo nas piores crises, o jantar do marido.

Para o espectador brasileiro, que já está vendo J. Edgar, A Dama de Ferro deverá prosseguir com a discussão sobre cinema e História, com maiúscula. O filme de Clint é decepcionante, por mais que os admiradores do cineasta tentem provar o contrário (e não conseguem). O de Phyllida Lloyd beneficia-se da extraordinária criação de Meryl. Ela merece o Oscar, como merecia outras tantas das 17 vezes em que foi indicada (ganhou como melhor coadjuvante e melhor atriz). Vai levar? Há controvérsias - o circo está armado para premiar Viola Davis, por Histórias Cruzadas.

Meryl merece? Ela sabe que sim, e não é que queira bancar a falsa modesta. O problema é que, tendo sido indicada tantas vezes - e em algumas, senão muitas, perdeu escandalosamente -, ela joga o jogo chamado prudência. Elogia a diretora. "Phyllida é capaz de fazer um musical (Mamma Mia) e a biografia de uma política polêmica. Deixa clara sua opinião da personagem, mas a humaniza." Como se entra na pele de uma personagem que está no imaginário do público? "A maquiagem e os figurinos ajuda, mas tive oportunidade de ler muito sobre Margaret Thatcher e estudei seus discursos. Há farta documentação audiovisual sobre como ela se comportava em público. Tudo isso ajuda, mas, no limite, tenho de confiar no meu instinto, e o diretor (a diretora) tem de confiar em mim." / L.C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.