"Merlim" estréia no CCSP

Um dos autores dramáticos mais talentosos da Alemanha contemporânea terá mais uma peça encenada nos palcos da cidade. Merlim ou a Terra Devastada, do dramaturgo, escritor e cineasta alemão Tankred Dorst, é uma montagem ousada da Cia. Clássica da Cooperativa Paulista de Teatro, dirigida por Adriano Cypriano, que estréia nessa terça, às 19h30, no Centro Cultural São Paulo. "Apesar de ser um texto mitológico, ele é simples no que tem a dizer como qualquer obra de arte", diz o diretor. "Mas não menos árduo ou complexo".Quando esteve no Brasil por ocasião do lançamento do livro Merlim ou A Terra Deserta, pela Editora Paz e Terra, Dorst afirmou que a duração integral da peça - realizada várias vezes em concepções diferentes na Alemanha - é de oito horas e que não poderia ter feito menos. Ao contrário, facilmente escreveria mais quatro horas. Mas no Brasil, a montagem integral é quase inviável. Seja pela dificuldade de encontrar patrocínio ou pela disposição do público. Por isso, Cypriano trabalhou intensamente para fazer a adaptação, conseguindo obter 1h50 de duração."Esse texto é muito rico e extenso, por isso estruturei a fábula por meio dos incidentes que contam a história de um personagem, no caso o mago Merlim", explica o diretor. "Excluí as críticas inertes ao público jovem, mantendo pelo prisma da poesia o que é mais importante e significativo", acrescenta. Filho do Diabo, Merlim é o condutor da trama principal e o eixo de sustenção das fábulas paralelas. O espetáculo revive a lenda de Camelot, no qual o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda se aventuram na busca do Santo Graal - cálice sagrado originário da esmeralda que caiu da coroa de Lúcifer e no qual José de Arimatéia recolheu o sangue de Jesus Cristo na cruz. "A lenda diz que quem encontrar o Santo Graal obterá a bem-aventurança".É por meio de metáforas e tramas vividos por personagens como Lancelot, a rainha Ginevra, Percival, o Rei Artur, os cavaleiros e o próprio Merlim que a peça aborda temas como as fraquezas dos homens, suas habilidades, os conflitos internos e os desejos incontroláveis. "Revelando arquétipos e uma busca por algo material e visível, mas que ninguém sabe o que é", analisa o ator Marcos Berman, que integra o elenco ao lado de Arminda Riolo, Fábio Aceiro, Fernanda Levy, Fernanda Troque, Izabela Pimentel, Luciana Barbosa, Fernando Maatz e Milena Filócomo.Durante nove meses de ensaio, os atores fizeram várias pesquisas e laboratórios para construir seus personagens, unindo técnicas, culturas, fontes e autores diferentes. Resultado: uma nova linguagem de encenação constituída a partir de acentuada expressão corporal. Dedicada ao público jovem, a peça, segundo Cypriano, conta com figurinos expressivos e boa iluminação, assinada por Vanderlei Conte. "Praticamente não usamos cenário, trabalhamos mais corpo e luz", comenta."Disposto a trair seu pai, Merlim quer ajudar aos homens, dando uma direção para que eles tenham uma sociedade plena e equilibrada", conta Berman. Segundo Cypriano, a encenação de Merlim tem uma importante relação íntima com o atual momento histórico, pois é tentativa de colocar ordem num mundo falido. "Vivemos num mundo globalizado, onde reina a lógica do capital", diz o diretor. "Quais são os valores que o homem tem para o próprio homem?" E conclui: "O homem deixou de ser lobo para ser o seu carrasco"."Merlim ou a Terra Devastada". Drama. De Tankred Dorst. Direção e adaptação Adriano Cypriano. Duração: 105 minutos. Terça e quarta, às 19h30. R$ 10. Centro Cultural São Paulo - Sala Adoniran Barbosa. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 16/8

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.