Mergulho na criação sonora

A artista Lenora de Barros exibe sua nova obra, a instalação Sonoplastia

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h10

"Entrei na viagem do écouteur", brinca a artista Lenora de Barros sobre sua nova experimentação - no caso, a criação da instalação Sonoplastia, que ela inaugura hoje em exposição na Galeria Millan. A obra se realiza aliada à imaginação do visitante: no espaço expositivo, em branco, há apenas uma mesa com 60 copos de vidro para que as pessoas se lancem ao desafio de usá-los como instrumento auditivo para escutar um mundo fragmentado de sons, atrás das paredes.

"Dentro da minha rota, é uma experiência nova em certo sentido, a conquista de uma liberdade", diz Lenora que, desde o projeto Radiovisual, criado para a 7.ª Bienal do Mercosul, de 2009, vem incrementando seu "mergulho no universo da sonoridade". "Sons embutidos, sons invisíveis", ela diz, o "verbivocuvisual" - poesia e visualidade -, a performance, todos esses elementos caros à artista estão incorporados em Sonoplastia, mas de uma maneira diferente, menos visceral, sem espaço para a contemplação já que a "imagem sonora" está escondida - o que remete, ainda, a brincadeiras -, esperando ser encontrada.

Atualmente, na 11.ª Bienal de Lyon, em cartaz na França até 31 de dezembro, Lenora de Barros apresenta, entre outras obras, a instalação O Encontro Entre Eco e Narciso, outro trabalho da vertente sonora (mas audiovisual pelas projeções de luz).

Já em Sonoplastia estão, atrás das paredes da Millan, dez pontos habitados por pequenos mundos e situações - "clichês, nonsense, poéticos", enumera a artista, todos criados a partir de sua voz - para serem ouvidos separada e intimamente. Do outro lado da sala da galeria, são condensados, numa única marcação, todos os sons (ou fantasias) da obra, de forma caótica. Para Lenora, como ela diz, esse trabalho é mais uma de suas perseguições da metalinguagem.

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