Mercado livreiro cresceu menos em 2011

Levantamento Anual do Segmento de Livrarias aponta índice de 5,26%; 1,24% abaixo da inflação

MARIA FERNANDA RODRIGUES - O Estado de S.Paulo,

15 de maio de 2012 | 14h15

Estimado em R$ 2,2 bilhões, o mercado livreiro, em declínio nos últimos 4 anos, cresceu ainda menos em 2011. Segundo o Levantamento Anual do Segmento de Livrarias, apresentado hoje pela Associação Nacional de Livrarias, esse índice ficou em 5,26%, 1,24% abaixo da inflação. Foi o menor valor desde que a ANL começou a fazer a pesquisa, em 2009. Naquele ano, o crescimento foi de 10,46%. Em 2009, de 9,73%. Em 2010, ficou em 9,63%. Esses valores não foram deflacionados.

Caiu também o número de livrarias – eram 3.511 em 2010 e hoje são 3.481. Isso quer dizer que existe uma livraria para cada 55 mil habitantes –, a Unesco recomenda 1 para cada 10 mil. Outros dados preocupantes: o Brasil tem mais de 5.500 municípios, portanto, o déficit de livrarias é alto; a região Sudeste concentra 52% das lojas e 390 delas ficam na cidade de São Paulo. Para Ednilson Xavier, presidente da ANL, o baixo número de livrarias pode ser um dos responsáveis pelo mínimo índice de leitura do brasileiro, que, segundo o Instituto Pró-Livro, é de 4 livros por ano.

A pesquisa mostrou também que a fatia das redes que faturam mais, até R$ 9,6 milhões, passou de 29,4% para 34,8% em 2011. Essa concentração do mercado nas grandes redes, que conseguem melhores descontos, e o preço final do livro, em queda há 4 anos, são apontados por Guto Kater, vice-presidente da entidade, como um dos fatores de vulnerabilidade para as independentes.

A ANL aposta em duas ações para garantir a sobrevivência do setor: a lei do preço único, que depende de mobilização política, e o livro digital. Dos 89% dos livreiros que ainda não vendem e-book, 62,5% esperam fazê-lo em 2012.

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