Mercado editorial perde leitor, mas ganha dinheiro

A uma semana da abertura da 17.ªBienal do Livro de São Paulo, o mercado editorial recebeu hojenotícias para comemorar e também para se preocupar. Se olharpara o caixa, os editores vão perceber que o mais recentelevantamento do setor indica um aumento significativo nofaturamento: em 2001, a indústria do livro faturou 10% a mais doque em 2000, atingindo a respeitável marca de R$ 2,267 bilhões. Por outro lado, se olharem para o balcão de negócios, oseditores vão notar uma redução no número de livros vendidos de10% - em 2000, foram comercializados 334,2 milhões deexemplares; no ano passado, o número caiu para 299,4 milhões.Para simplificar a equação: o valor médio de cada livro vendidosubiu de R$ 6,16 para R$ 7,57. Com isso, clientes - e leitores -foram perdidos. "O faturamento cresceu porque os livros vendidos erammais grossos e caros e também porque houve um repasse de custosque estavam sendo represados desde o Plano Real", afirma RaulWasserman, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), quebanca a pesquisa anualmente, em conjunto com o SindicatoNacional dos Editores de Livros (Snel). "O mercado vem crescendo lentamente, nesse anocrescemos 0,5% acima da economia brasileira; não há uma crise dosetor, mas há crises em algumas editoras", diz ainda opresidente da CBL. O fato é que a instabilidade da economia mundial,agravada pelos atentados em Nova York em 11 de setembro e,internamente, pela subida do dólar, colaboraram para esse quadro em que os editores (analisados como um todo) perdem clientes,mas não perdem dinheiro. Como? O gasto com direitos autorais de autores estrangeiros,por exemplo, pagos em dólar, caiu 24%; deu-se prioridade,portanto, o livro de autor nacional (cresceram em 5% essespagamentos). E a indústria, que empregava 20,9 mil pessoas em2000, cortou 1.800 funcionários. Em número de exemplares vendidos, 2001 foi um dos pioresanos do setor desde 1994. Só bate 1999, ano da desvalorização doreal e de uma retração brusca do mercado. Também foi um ano ruimem termos de variedade: o total de exemplares editados, entreprimeiras edições e relançamentos, foi de 40,9 mil títulos,contra 45,1 mil em 2000. O grande destaque positivo do ano foi o setor de obrasgerais. Embora o número de títulos da área, o total deexemplares vendidos cresceu 4%, o de produzidos, 20%, e ofaturamento, 14%. Também cresceu significativamente o setor de livrostécnicos e profissionais (8% no faturamento e 4% no total delivros vendidos). Enquanto isso, o setor de livros religiososamargou um forte retrocesso no total das vendas, mas seufaturamento cresceu em 15%. Os livros religiosos,tradicionalmente, eram mais baratos que os livros de interessegeral, uma regra que pode estar sendo alterada, prejudicandotambém os leitores mais pobres da área. Também caiu a venda dos livros didáticos, em 19%. A área contudo, apresentou um crescimento no faturamento de 7%,movimentando R$ 1,16 bilhão (51% do mercado editorial) - ou seja governo e pais passaram a pagar mais caro para os livros usadosnas escolas.

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