Mercado de São Paulo se aquece para o gênero fotográfico

Bolsa de Arte realiza na capital seu primeiro leilão, que conta com 150 imagens de artistas como Vic Muniz

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

03 de setembro de 2008 | 17h28

O mercado de fotografia ainda está amadurecendo no Brasil, como diz o diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, Jones Bergamin, que vai realizar pela primeira vez - no sábado, em São Paulo, das 16h30 às 19 h -, um leilão comercial - e não beneficente - com 150 obras do gênero fotográfico. A Bolsa de Arte existe desde a década de 1970 e somente agora está se voltando para esse filão já tão aquecido nos mercados europeu e americano. "Não sentia firmeza em fazer um leilão profissional de fotografias para vender as obras em apenas um dia. Grande parte dos colecionadores ainda está começando a conhecer a foto como arte", afirma ainda Bergamin. O grande destaque do evento, ou seja, a obra mais valorizada e "namorada", como diz o marchand, é Pictures of Diamond: Catherine Deneuve, um dos quatro exemplares de série do artista brasileiro Vik Muniz formada por retratos de reproduções de imagens de divas do cinema cobertas de diamantes: a imagem está avaliada, inicialmente, entre R$ 160 mil e R$ 220 mil, mas poderá chegar a até R$ 250 mil, nas estimativas de Bergamin. Veja também:Galeria com imagens do leilão da Bolsa de Arte    Todas as imagens a serem leiloadas podem ser vistas na exposição prévia ao evento. A mostra é uma oportunidade para o público ver um leque variadíssimo de opções (que têm preços iniciais de R$ 1 mil cada uma), desde imagens do século 19 realizadas no Brasil pelos franceses Marc Ferrez e George Leuzinger; a mais recentes, como o retrato de Carmen Miranda clicado por Jean Manzon na década de 1950; imagens de Pierre Verger; trabalhos modernos brasileiros como Geraldo de Barros, José Yalenti e German Lorca; fotos autorais de repórteres fotográficos, como Mônica Zarattini, da Agência Estado, e jornalísticas de Evandro Teixeira (sobre o Movimento Estudantil de 1968); sem faltar, claro, das obras de contemporâneos como Caio Reisewitz (que participa com a peça avaliada entre R$ 40 mil e R$ 50 mil), Miguel Rio Branco e Mario Cravo Neto. Outro ponto do leilão é a presença de contemporâneos estrangeiros como Robert Mapplethorpe, Tracey Moffat, Thomas Hoepker, Nobuyoshi Araki e Zhang Huan. "Fomos atrás de outros estrangeiros importantes, como Cindy Sherman e Man Ray", diz Bergamin. Como ainda analisa o diretor da Bolsa de Arte - que a partir de agora vai realizar anualmente leilões fotográficos nesse período do ano para coincidir com a feira i-Contemporâneo, a procura maior de colecionadores ocorre para a fotografia contemporânea e, por isso, elas conseguem alcançar, naturalmente, preços mais elevados. Mas vale citar que um dos mais bem valorizados trabalhos ofertados são os abstratos da década de 1950 realizados por José Oiticica Filho (podem chegar a R$ 60 mil).

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