''Mentiras'' sinceras de Karina Buhr

Compositora produz empolgante massa sonora

, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

Tão urbano quanto Berlim, Texas é o ótimo álbum de estreia de Karina Buhr. Só que, enquanto Thiago lida diretamente com a verdade pessoal, Karina brinca com a mentira. Eu Menti pra Você é repleto de personagens, soluções sonoras impactantes, letras irônicas, pontos de vista inusitados sobre o mais comum e ímpeto criativo que vem desde antes da experiência com o inquieto antropófago Zé Celso Martinez Correa, no Teatro Oficina.

"Viajo muito nessa história, o disco tem um roteiro. E por mais que eu fale muita coisa na primeira pessoa, claro que tem um pouco disso, mas não são necessariamente histórias que aconteceram comigo. Não tenho necessidade nenhuma de repetir a verdade. Sempre tem uma distorcida", diz Karina, de 35 anos.

Tendo incorporado a cultura "de fazer tudo junto" que vivenciou no Nordeste, como teatro de mamulengo e cavalo marinho ("que é teatro também"), Karina critica um certo ranço que ainda há na expectativa do público em relação à música produzida em Pernambuco. "Alguns dizem que antes eu fazia música regional e agora sou mais urbana. Não quero ser enquadrada."

Ela iniciou as atividades musicais nos maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante, tocou na Eddie e depois formou o Comadre Fulozinha, com outras mulheres. Seu jeito de fazer música com a banda é bem parecido com o trabalho-solo. "Só que na hora de botar em prática muda muito. A primeira ideia era que a sonoridade do disco tivesse só bateria, teclado e baixo, sem guitarra. Depois veio Catatau, gosto de uma coisa que ele faz que é uma antiguitarra. A guitarra dele veio como um luxo."

Além de Catatau, Karina reuniu alguns dos músicos mais bacanas em evidência no cenário contemporâneo paulistano, como Marcelo Jeneci (sanfona e pianos), Guizado (trompete) e Edgar Scandurra (guitarra), que fazem participações no CD. A superbanda tem também Bruno Buarque (bateria), Mau (baixo), Otávio Ortega e Dustan Gallas (teclados).

Há canções novas e outras antigas, como Solo de Água Fervente e O Pé. Umas que nasceram com cara de hit, como Eu Menti pra Você e Plástico Bolha. Rock, funk, ciranda e eletrônica, reggae, ska, carnaval e assuntos de guerra se entrelaçam numa empolgante massa sonora. Se está "tudo padronizado", como canta em Mira Ira, Karina é a contradição do óbvio. Pra lá de moderna. / L.L.G.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.