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Mensalão chega a 'Saramandaia'

Metáfora do original dá lugar à crítica explícita em nova versão do enredo de Dias Gomes

CRISTINA PADIGLIONE , ENVIADA ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2013 | 02h08

Até quem não era nascido em 1976 ouviu falar de uma mulher que, de tanto comer, acabou por explodir bem na praça central de uma cidadezinha. Era novela. Com ela, convivia gente que botava o coração pela boca, gente que expelia formigas pelo nariz, gente que virava lobisomem e até gente que voava. Mas, se a Saramandaia de quase quatro décadas atrás embutia uma metáfora à ditadura militar da vida real brasileira da época, a nova leitura do enredo de Dias Gomes, com estreia marcada para o próximo dia 24, na Globo, não terá crítica política a disfarçar. Autor da nova versão, Ricardo Linhares localizará aqueles tipos nos dias de hoje, com referências muito claras ao cotidiano atual. É o mensalão chegando a Bole Bole.

"O personagem do Zé Mayer é um ex-prefeito corrupto, todo mundo sabe que ele é corrupto, que ele mandou e desmandou", conta Linhares ao Estado, em entrevista exclusiva em seu apartamento, na zona sul do Rio. "Existe todo um grupo de jovens na novela que se espelham em jovens da vida real - caras-pintadas, estudantes que protestam em qualquer lugar do mundo: São Paulo, Rio, Nova York, na primavera árabe. Eu trouxe esse protesto atual e contemporâneo para dentro da novela, sem metáforas. Naquela época não se podia falar que algum prefeito era ladrão."

Em meio a tal cenário, pareceu-lhe oportuno citar alguns jargões do cenário nacional mais recente, mas sem pretensão documental, avisa. "(A novela) fala em mensalão, corrupção, de inquéritos que acabam em pizza, existe toda uma preocupação que a gente tem na vida real." A câmara de vereadores também será composta por dinossauros da política, que "não largam o osso nunca", em referência a personagens reais do Congresso Nacional, conta o autor.

Com 34 personagens e 57 capítulos, versão mais que enxuta para uma novela, a nova Saramandaia ocupará a faixa das 23h, espaço dedicado a remakes anuais que a Globo inaugurou há dois anos, com O Astro. Em 2012, foi a vez de uma nova versão de Gabriela. E, como das outras vezes, a ideia extrapola o conceito de remake, com liberdade para a criação de novas histórias.

Pavão Misterioso, a música que embalou a versão original, estará presente novamente e na gravação original, com o cantor Ednardo, como tema do personagem que foi de Juca de Oliveira e agora será vestido por Sérgio Guizé, o João Gibão. Para a abertura, o produtor Sérgio Saraceni prepara uma canção instrumental.

Se a Bole Bole original ficava no Nordeste, a nova cidade não está localizada em parte alguma, nem mesmo no Projac. Bole Bole, agora, é praticamente uma fotomontagem, feita a partir da composição de várias locações, por meio de computação gráfica.

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