Menos que Nada, de Zizek: estudo sobre o filósofo Hegel

Filósofo que já foi chamado de o Elvis da teoria cultural, o esloveno Slavov Zizek parece cada vez mais distante do rótulo reducionista que a mídia impõe para vender sua imagem do tresloucado que mistura Spinoza, Hitchcock e Hanif Kureishi num mesmo pacote. Prova disso é o denso Menos Que Nada, livro que a Boitempo lança para marcar o curso de introdução à obra de Zizek, que começa hoje com uma análise de seu trabalho político pelo filósofo Alysson Leandro Mascaro.

AE, Agência Estado

05 de março de 2013 | 09h58

Seu livro recoloca Hegel em foco - e não para ensinar "completos idiotas", como adverte, mas porque Hegel, segundo Zizek, "é o único que afirma plenamente a identidade dos dois extremos, do sublime e do terror". Enfim, um pensador para os tempos atuais, uma vez que o terror, como diz Zizek, inaugurou a modernidade política (a Revolução Francesa) e ainda não nos deixou. O filósofo, que faz uma conferência no dia 8, às 20 horas, no Teatro Paulo Autran, autografa Menos Que Nada no dia 9 (às 16 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista) e ainda é homenageado com a exibição do documentário que leva seu nome, Zizek, dirigido pela socióloga e cineasta americana Astra Taylor (sexta, às 14 horas, no Sesc Pinheiros).

Zizek concedeu por telefone, de Liubliana, Eslovênia, uma entrevista em que definiu Menos Que Nada como um estudo não para "retornar" a Hegel, mas para "repetir" Hegel (no sentido kierkegaardiano do termo). "Ele é o filósofo da transformação, da liberdade, não o reacionário que pintam por ter protestado contra os excessos da Revolução Francesa", define. O momento atual, segundo a visão de Zizek, "é muito hegeliano" - uma era essencialmente trágica e à beira de uma revolução, como diria D. H. Lawrence, mas que torna possível elevar a singularidade a universalidade, como queria Hegel. "Concordo com Badiou (o filósofo marroquino Alain Badiou, crítico das democracias liberais) quando ele diz que estamos mais perto dos problemas discutidos no século 19 do que do legado do século passado - e que é preciso considerar a hipótese comunista." Antes que se possa esboçar palavra, o rápido Zizek acrescenta: "Veja, não sou um velho marxista pensando em termos de luta de classes, mesmo porque o jogo hoje é o do desemprego, não o do conflito entre patrões e empregados".

MENOS QUE NADA - Autor: Slavoj Zizek. Tradução: Rogério Bettoni. Editora:

Boitempo. (656 págs., R$ 79)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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