Meninas seduzem Crooner

Duets II, com 17 convidados, traz uma supremacia feminina e é superior a álbum de 2006

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h10

É difícil mudar uma fórmula vencedora. O disco Duets - An American Classic, de 2006, gravado quando Tony Bennett completou 80 anos, ganhou três prêmios Grammy e tornou-se o mais vendido disco da carreira do crooner. Seria natural imaginar que sobreviria um Duets II, com uma consequente queda de qualidade nos duetos.

Mas o fato é que esse é um caso em que a sequência é melhor do que o primeiro "filme". O primeiro Duets era mais irregular: tinha muito artista que só estava ali pela fama, como Céline Dion, Dixie Chicks, Tim McGraw, Barbra Streisand, James Taylor, Elton John. Esse álbum com 17 convidados que chega agora às lojas tem mais qualidade do que marketing.

As cantoras seguram a onda. Aretha Franklin, Sheryl Crow, Queen Latifah, k.d. lang, Natalie Cole, Faith Hill e Carrie Underwood mantêm alto nível nas interpretações. Lady Gaga é a curiosidade bizarra - seu dueto com Tony em The Lady Is a Tramp (de Richard Rodgers) parece uma mistura de Joelma, da banda Calypso, com João Gilberto. Amy Winehouse, em Body and Soul (de Johnny Green), deixa uma espécie de faixa-testamento. A grandeza de Amy está no fato de que ela não emula Billie Holiday, nem Dinah, nem Nina Simone. Projeta seu próprio sarcasmo (e incredulidade) sobre a canção.

O jornalista Neil McCormick, que estava presente na gravação do Abbey Road, conta que o último vídeo da última gravação da vida da cantora veio após 7 takes vocais. Ela se mostrava até então tímida e insegura, mas Tony cuidou de deixá-la à vontade e, ao final, eles se abraçam calorosamente. Ficou decidido, entre Tony e a família da cantora, que os lucros do dueto Body and Soul na venda pelo iTunes serão destinados à recém-criada Amy Winehouse Foundation.

Anthony Dominick Benedetto foi claramente seduzido pelo poder de fogo de suas convidadas, e os duetos femininos passaram por cima dos masculinos. Ainda assim, é muito bacana seu encontro com o velho índio Willie Nelson e Tony com Alejandro Sanz, em Esta Tarde vi Llover, um reencontro que poderia soar artificial e sem ponto de contato mas, paradoxalmente, está fantástico.

Tony viajou pelo mundo para gravar o álbum, o que garante que não há aquele clima de parcerias fake, mixadas em duas ou três gravações distantes, nas quais os performers jamais se reuniram. Ele foi à Itália, à casa de Andrea Bocelli, para gravar Strange in Paradise; esteve em Londres, Los Angeles e Nova York. As sessões de Duets II foram gravadas por Dion Beebe, fotógrafo vencedor de Oscars (Chicago, Memórias de uma Gueixa e Colateral), e virarão documentário. Declarado Cidadão do Mundo pelas Nações Unidas, Tony é o fino.

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