Memorial, grandioso, caro e controverso, faz 18 anos

O Memorial da América Latina "criouuma memória visual para um lugar que não tinha paisagem", disseà reportagem, em 1997, o arquiteto catalão Josep María Botey yGomez. Na Barra Funda, o gigantesco conjunto arquitetônicoassinado por Oscar Niemeyer é uma paisagem de concreto de 85 milmetros quadrados, formada por pavilhões e prédios de vidrosnegros, espelhos d?água, uma imensa passarela e a emblemáticaescultura de uma grande mão aberta que tem representada, em suapalma, um esboço de mapa da América Latina em vermelho.Patrimônio histórico e artístico do Estado de São Paulo, oMemorial foi criado, como diz seu atual presidente, FernandoLeça, segundo vertente desenhada por Niemeyer e pelo antropólogoDarcy Ribeiro: ser um espaço de "integração da América Latina,de suas culturas". Inaugurado em março de 1989, no governo deOrestes Quércia, o Memorial da América Latina completa 18 anos -ao mesmo tempo, 2007 é o ano do centenário de Niemeyer(precisamente, em 15 de dezembro)."Grandioso, caro e controverso" foram os termos usados paradefini-lo na época de sua inauguração - a obra custou US$ 48milhões, dez vezes mais do que o estimado, como está nosregistros. Grandioso, caro e controverso parecem também sertermos que servem para caracterizá-lo hoje. Segundo Leça, oMemorial é uma fundação pública, com autonomia financeira eadministrativa, financiada pelo governo do Estado de São Paulo(em 2007, de R$ 13 milhões) e que tem ainda "receitas própriasresultante das locações de seus espaços" (entre eles, de seugrande estacionamento e restaurante) e captação de recursos nainiciativa privada. Mas, com espaços e recursos, sua programaçãocultural é, em termos gerais, fraca, quase nada empolgante.Fernando Leça não concorda, cita uma frase de Millôr Fernandespara caracterizar o espírito de sua gestão, iniciada em março de2005: "Eu me sinto indecentemente feliz." Entretanto, ao mesmotempo, diz: "Sou permanentemente insatisfeito." Visitação cresceSegundo ele, avisitação ao Memorial só vem crescendo: em 2004 foi de 204 milpessoas; em 2005, de 465 mil pessoas; em 2006, de 683 milvisitantes - nesses últimos dois anos, o complexo arquitetônicosofreu reforma de seus prédios e de sua infra-estrutura (omontante gasto foi de R$ 2,2 milhões, R$ 1,5 milhão concedidopelo governo estadual). E Leça cita como um dos maiores feitosde sua programação, em junho de 2005, a quermesse que recebeu130 mil pessoas - "um arraial" patrocinado em R$ 1 milhão pelasCasas Pernambucanas. Bem, diante disso, quem não concorda que oMemorial poderia ser melhor aproveitado?Segundo o presidente da Fundação Memorial da América Latina, aprogramação cultural dirigida por Fernando Calvozo tem comoobjetivo promover atividades para formação de público. A música,"talvez a de mais força para a integração das pessoas", diz Leça é uma das áreas em que as atenções estão mais centradas nessesentido. Cita o resgate do projeto Adoniran Barbosa, com showsàs quartas, às 18h30, e as apresentações da Jazz Sinfônica, queensaia no Memorial. O cinema também, principalmente pelobem-sucedido Festival Latino-Americano de São Paulo, que tevesua primeira edição no ano passado. Uma videoteca com mais de 2mil títulos (que serão digitalizados), uma biblioteca com 30 millivros e a realização da Cátedra da América Latina, criada peloCentro Brasileiro de Estudos da América Latina, concebido porDarcy Ribeiro, e iniciada dias atrás, são outras atrações doMemorial.

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