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Memória, eterna fonte inspiradora

Não são poucos os autores que construíram toda a sua obra sem transcender o universo familiar. Para escrever suas peças, Jorge Andrade nunca deixou de lado as questões que o marcaram em seus anos de formação.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Tematizou incessantemente o relacionamento conflituoso que manteve com o pai. E valeu-se dessa oposição - entre velhas e novas gerações - para alicerçar seus textos. Com forte lastro memorialístico, concebeu obras, como A Moratória.

Ambientada nos anos 1930, no auge da crise econômica que atingiu as fazendas de café paulistas, a peça apresenta o autoritário patriarca Quim e sua relação problemática com os dois filhos, representantes de uma nova ordem e de um novo mundo capitalista.

Foi calcado em disfunções familiares que Nelson Rodrigues conseguiu reinventar o conceito de tragédia e alcançar o posto de maior dramaturgo nacional. Crimes, suicídios, mutilações, pedofilia e incestos. São os ingredientes do teatro que o próprio Nelson classificou como desagradável. "São obras pestilentas, fétidas, capazes, por si sós, de provocar o tifo e a malária na plateia", escreveu o autor.

Em Álbum de Família, revelava personagens que aboliram qualquer censura para dar vazão a seus instintos mais profundos. Trocava os habituais psicologismos do teatro moderno, por um mergulho nos arquétipos.

Em Senhora dos Afogados, Nelson reinterpretou os mitos gregos, sob à luz da psicanálise freudiana. Mas não só. Inspirou-se declaradamente em Eugene O"Neill e sua Electra Enlutada, assumindo o vínculo que o ligava a outros grandes dramaturgos.

Em toda a sua trilogia da Electra, O"Neill bebe em Ésquilo. Convém, porém, não esquecer que toda a tragédia aparece transfigurada em sua obra por símbolos modernos e por sua história pessoal. Assim como os gregos, o escritor acreditava em uma dimensão trágica da existência e valeu-se continuamente de elementos autobiográficos para criar textos como Longa Jornada Noite Adentro, que lhe valeu o Prêmio Pulitzer, em 1957.

Depois que recebeu alta da terapia, Tennessee Williams nunca mais conseguiu escrever do mesmo jeito. Sua infância, marcada pelo pai alcoólatra, a mãe dominadora e a irmã doente, ecoa em suas criações mais notáveis. Caso de À Margem da Vida, Um Bonde Chamado Desejo e De Repente, no Último Verão.

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