MELODIAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

TV Cultura produz série de quatro novos telefilmes em que diversas canções ajudam a conduzir as histórias

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2013 | 02h09

O cinza de São Paulo vai ganhar um toque de alegria com os quatro novos telefilmes produzidos pela TV Cultura, com estreia prevista para maio. A quarta edição do projeto da emissora tem como tema A Música na Cidade na leva deste ano. Rodados em vídeo de alta definição com uma verba de R$ 600 mil cada um, dada pela Secretaria de Cultura do Estado, depois de aprovados em um edital, os filmes de 52 minutos mostram como a música faz a diferença na vida de personagens de realidades distintas.

Uma delas é Érica (Daniela Piepszyk), de E Além de Tudo, me Deixou Mudo o Violão, dirigido Anna Muylaert (de É Proibido Fumar) e produzido pela Gullane Filmes. A adolescente é filha de Rita (Naomi Silman), que se torna alcoólatra. Preocupada com a mãe, a jovem começa a cuidar dela, fazer as tarefas domésticas e tem com válvula de escape as aulas de violão, em que professor é interpretado por André Abujamra, um dos responsáveis pela trilha da produção.

Para escalar a intérprete de Rita - homônima da canção de Chico Buarque, cujos versos inspiraram o título do filme -, a diretora penou, pois queria uma atriz inglesa. "Comecei procurando em Londres, preocupada, pois o orçamento era barato. Não encontrei. Eu e a Patrícia Faria, diretora de casting, procuramos por mulheres de outras nacionalidades. No fim de tudo, achei uma em um grupo de teatro de Campinas. Ela estava destinada a fazer o filme, não ia viajar e era magra como a Amy Winehouse", relembra.

Para sorte da cineasta, Naomi não precisava aprender português e já havia encarnado uma personagem dependente de álcool. A inglesa foi colega de grupo de teatro de Sacha Baron Cohen, comediante britânico criador e intérprete dos personagem Borat e Brüno, que deram nome aos longas homônimos. Já Daniela Piepszyk havia trabalhado com Anna Muylaert em O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger, escrito pela cineasta.

A trama é baseada na história da professora de ioga da diretora, que passou por situação semelhante a de Érica. "Quando fiz o roteiro, fiquei assustada. Estava barra pesada demais. Torci para não ganhar (o edital). Não era um projeto que eu estava totalmente amando antes", confessa Anna, que este ano estará na direção da série Canalhas, do GNT, inspirada em textos de Martha Medeiros.

Apesar da verba apertada para uma produção grande, a cineasta conseguiu trazer para sua equipe a diretora de fotografia uruguaia Barbara Alvarez, de filmes como Whisky (2004), de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, e A Vida dos Peixes (2010), de Matías Bize.

Dos quatro filmes, apenas um ainda será rodado: A Ópera de Cemitério, de Juliana Rojas (deTrabalhar Cansa), conta a história de Deodato (Eduardo Gomes), um aprendiz de coveiro que está com o emprego na corda bamba, pois prefere tocar órgão escondido na igreja do cemitério. O trabalho é posto em xeque quando ele desmaia no local e é chamado por seu superiores. Na sequência, acontece um recadastramento de sepulturas, em que o funcionário precisa mostrar serviço. Ele, porém, ganha tranquilidade ao conhecer Jaqueline (Luciana Paes), uma nova contratada, com um estranho gosto fúnebre por caixões, chamada para ajudá-lo e por quem ele se apaixona enquanto aprende os novos afazeres.

Entre os longas está ainda Vitrola, de Charly Braun (Além da Estrada), sobre o drama de Elpídio (Genésio de Barros), o endividado dono de um sebo na mira de uma construtora, que pretende transformar o espaço da loja em mais edifício com fachada neoclássica. Decidido a resistir à oferta, mesmo sendo responsável por sustentar a filha e o neto, o comerciante participa de um programa de auditório em que seus conhecimentos musicais são testados na tentativa de levar um prêmio.

Completa o time de telefilmes Invasores, de Marcelo Toledo e Paolo Gregori. A produção mostra a história de Cláudia (Emanuela Fontes), uma jovem moradora da periferia que descobre a paixão pelo piano por meio de um programa de música para adolescentes de bairros pobres da capital. Ela, então, fica decidida a entrar para a universidade para se tornar pianista mesmo sob represália da família. Sem ter onde praticar antes de prestar vestibular, a moça invade escolas de música e centros culturais com a ajuda do namorado, integrante de uma gangue de pichação, cujos marginais reprovam as ações do casal.

Sob responsabilidade das produtoras independentes, parte das atrações teve cenas rodadas em estúdios da emissora, que cedeu equipamentos. Além de exibir os longas, a TV Cultura pretende lançar os filmes em outras mídias. "Está em estudo a transformação para DVD e também em outras plataformas digitais. Não só os telefilmes, mas todas as produções", adianta Eduardo Brandini, vice-presidente de conteúdo da emissora. Por enquanto, o material produzido pelo canal comercializado digitalmente se restringe às músicas do infantil Cocoricó, à venda na loja vitual iTunes desde o fim do ano passado.

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